Programa Cidade Legal visava facilitar investimentos em áreas como o Nicéia, que ainda não foram regularizadas. Com a paralisação do programa, investimentos na infraestrutura do bairro, como asfalto, escola e posto de saúde, tornam-se ainda mais incertos
No ano de 2012, a Prefeitura de Bauru junto com a Associação de Moradores fechou uma parceria com o programa Cidade Legal, do Estado de São Paulo, para acelerar melhorias no bairro Jardim Nicéia. O programa tem o objetivo de agilizar e desburocratizar as ações e processos de legalização dos terrenos ocupados pela população. Por meio do programa, o bairro oficialmente passa a ser de responsabilidade da prefeitura. Antes disso, qualquer investimento feito pela prefeitura no bairro seria considerado caso de corrupção, por oficialmente ser propriedade privada.

Recentemente o programa foi suspenso por falta de verbas públicas, o que dificulta ainda mais melhorias no bairro, como a implementação de asfalto e de rede de esgoto. Há muitos anos os moradores vêm sofrendo com a não pavimentação do bairro e sendo prejudicados pela poeira e pelo barro nas ruas. Os moradores da Rua 6 são os mais prejudicados, pois, em épocas de chuva, a locomoção, tanto de automóveis, quanto de pessoas fica muito difícil.
Além da dificuldade, as ruas de barro trazem situações perigosas para o bairro, como relata a moradora da Rua 6 Benedita Tarda, de 61 anos: “um motoqueiro já caiu aqui por causa da chuva e do barro, o pneu da moto escorregou”. Benedita atenta para o fato da dificuldade que teria uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para chegar até o local.
Já seu Narciso da Silva Ferreira, 54 anos, relata que a falta de uma guia na rua faz com que entre água e barro em sua casa quando chove. Ele, que é dono de um depósito de reciclagem, reclama da dificuldade para transportar o material, muitas vezes tendo que carregar tudo nas costas porque o barro dificulta o transporte em carrinhos; as rodas enterram e fica impossível puxá-los.
Para Maria Madalena das Dores Pereira, 67 anos, a falta de asfalto atrapalha a melhoria da própria casa. Ela também reclama da distância do ponto de ônibus que, para ela que já é idosa, é um trajeto difícil. “Quando a gente vai para o centro, suja a saia e o sapato no caminho. Só levando uma garrafa de água para se limpar quando chegar lá, por causa da lama”, completa Maria.
