A oficina é organizada pela Ação Comunitária São Francisco de Assis (ACOP) e ocorre quinzenalmente às terças-feiras na capela do bairro. Os encontros contam com atividades manuais e reflexivas com o intuito de melhorar a convivência entre os moradores.
Uma reunião descontraída acontece na sala de uma igreja do Jardim Nicéia. O encontro tem comes, bebes e, acima de tudo, muita sintonia. Um grupo de mulheres – de meninas a senhoras – esquece das correrias da vida cotidiana e celebra um ano de muito aprendizado.
Trabalhos manuais, como pintura e biscuit, são ensinados em aulas de artesanato quinzenais no bairro há alguns meses. Além do artesanato, as reuniões promovem também a mudança interna das participantes, que se enxergam como agentes de transformação no ambiente em que vivem.
O grupo, composto principalmente por mulheres, se reúne quinzenalmente às terças-feiras na igreja católica do bairro. Elas contam com a mediação de uma assistente social e de uma psicóloga, que visam promover, além de atividades manuais como o artesanato, atividades reflexivas com as participantes das oficinas.
As atividades têm também o intuito de melhorar a convivência entre as pessoas que vivem no bairro. Organizado pela Ação Comunitária São Francisco de Assis (ACOP), as reuniões incluem várias atividades que promovem a interação entre os moradores, muitas vezes presos a suas rotinas diárias e sem muita convivência com os vizinhos.
Em relação ao artesanato, as moradoras contam que a atividade, que ajuda muito na renda familiar delas, está enfraquecida devido à falta de verbas para conseguir materiais de trabalho. Em uma conversa com a moradora Camila Barros, da Rua 6, ela contou que esse enfraquecimento provocou um certo esvaziamento do centro de convivência, embora ele ainda seja bastante frequentado: “muita gente parou de ir ao grupo devido à falta do artesanato”, relata.

Camila, que já deu aulas de pinturas em guardanapo no bairro, conta que a atividade faz a diferença no seu orçamento familiar. Entre suas confecções estão potes com biscuit, porta-retratos de pérolas, entre outras coisas. Ela conta: “Eu gasto aproximadamente R$ R$14 para fazer o quadro, por exemplo, e vendo por R$30 reais”. Entretanto, ela comenta que ainda falta uma maior adesão ao trabalho artesanal pelos outros moradores do Nicéia. Por esse motivo, ela vende as confecções em outro bairro.

A psicóloga da ACOP, Letícia Lozan, afirma que, como o órgão é uma entidade sem fins lucrativos, depende das doações que recebem e nem sempre é possível passar recursos para o grupo do Jardim Nicéia por conta do orçamento limitado. No entanto, Letícia também ressalta que o intuito principal dos encontros realmente é unir os moradores e trazer atividades que gerem reflexão e despertem o senso de autonomia que há em cada um deles.
A profissional contou que algumas das atividades que desenvolveu no segundo semestre deste ano tiveram como temas a cultura das festas juninas; a reflexão em relação a comportamentos afirmativos; o conhecimento da história de Bauru; reflexões de como ser um agente de construção da história, ações de combate ao câncer de mama e de próstata. Houve também a comemoração do dia das crianças e passeios ao cinema e ao Jardim Botânico de Bauru.
No último encontro, Letícia conta que após assistirem ao filme “Trolls”, que tem como uma das principais questões a busca pela felicidade, as moradoras refletiram sobre a pergunta: “Por que buscamos a felicidade em coisas externas ao invés de buscá-la dentro de nós mesmas?”

Para continuar os trabalhos, Letícia pede doações de materiais como tintas, pincéis, entre outros para que o artesanato seja melhor desenvolvido nas oficinas do ano que vem. A última reunião deste ano será no próximo dia 20 e, após um período de recesso, as atividades do grupo têm previsão de voltarem na segunda quinzena de janeiro de 2017.


Guilherme Hansen
