Especial esportes: O esporte e lazer no Jd. Nicéia

Confira os sonhos esportivos dos jovens do bairro e as dificuldades encontradas pela falta de investimento em estrutura e de interesse do poder público.

“Você é de açúcar, tia?”, nos perguntou o menino. Pelo visto, nenhuma daquelas crianças que brincavam na praça eram. A chuva se fez rotina naquela segunda semana de dezembro no bairro Jardim Nicéia. Mesmo assim, a praça não estava vazia.

Algumas crianças estavam abrigadas em um dos quiosques se deliciando com mangas recém colhidas, outras jogavam futebol na única quadra do bairro, sem se importar em tomar banho de chuva.

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Sem uma cobertura, a quadra poliesportiva não tem condições de uso em dias de chuva. (Giovanna Romagnoli/Voz do Nicéia)

A diversão não pode parar

Voltamos, então, em um dia que o sol iluminava o bairro novamente. Os quiosques foram abandonados, os bancos da praça estavam cheios, as crianças praticavam Bets (esporte parecido com beisebol), as ruas se alegraram com as bicicletas que passavam e a quadra, sem poças, era palco de um futebol de fim de tarde.

As traves do gol sem redes e a bola saindo a todo momento da quadra mostravam que o bairro poderia ter uma infraestrutura melhor para os moradores. Ainda assim, o bairro tem um time de futebol consolidado, O Operário Futebol Clube, além de outro a caminho, possivelmente: o Jardim Nicéia Futebol Clube. E o futebol não é o único esporte praticado no bairro. Confira abaixo outros esportes que também encontram dificuldades pela falta de investimento em infraestrutura no bairro.

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Crianças jogam bets na praça, brincadeira comum no bairro. (Giovanna Romagnoli/Voz do Nicéia)

Jiu Jitsu

Júlio Cezar da Silva, 24 anos, pratica Jiu Jitsu há dez anos. Sem poder praticar seu esporte no bairro, Júlio lamenta: “falta apoio da prefeitura e de empresários, até da própria população, porque o esporte tira muita gente da rua. Falta incentivo e um lugar fechado”.

Ele acredita que, apesar das pessoas não conhecerem muito o esporte, se tivessem aulas gratuitas no bairro, com professor e apoio, muitas pessoas fariam. “Até as pessoas mais velhas que têm problema de saúde por falta de esporte”, completa.

A respeito do Jiu Jitsu, ele explica: ” Algumas pessoas pensam que artes marciais é chegar e apanhar, mas muito pelo contrário, ensina disciplina, ensina respeitar pai e mãe e as pessoas”.

Futebol e handebol

Priscila Tayane do Carmo, 14 anos e Stefany Soares, 15 anos, que jogam futebol e handebol há quatro anos, também dizem não conseguir praticar dentro do Nicéia. “Não tem bola, precisa cobrir a quadra por causa do sol e precisa de um treinador também”, elas justificam. Sem apoio dentro do bairro, elas têm que ir mais longe para treinar. “Aqui ia ficar bem mais fácil”, concluem.

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Moradores jogando futebol em uma sexta-feira à tarde. (Giovanna Romagnoli/Voz do Nicéia)

Skate

Alessandro Junior, 14 anos, disse que pratica vários esportes, mas o que ama mesmo é o skate. Ele conta que sempre quando pode, pega seu skate e anda pelas ruas do Nicéia com dificuldades, principalmente nas faixas de ciclismo, que hoje em dia estão apagadas.

Uma alternativa utilizada por ele é praticar em outros lugares, como na pista de skate próxima ao Aeroclube de Bauru, que infelizmente é longe do bairro. Segundo Alessandro, muitas pessoas do bairro gostavam de andar de skate, mas a falta de uma pista desanimou os amantes do esporte.

No entanto, para ele, paixão pelo skate e motivação é o que não falta. Seu irmão Adriano é seu grande ídolo e inspira o garoto a praticar skate e crescer cada vez mais no esporte.

A busca por soluções

Entramos em contato com a Secretaria de Esportes e com a Secretaria de Planejamento para saber as possibilidades de melhoria na quadra poliesportiva do bairro ou construção de uma pista de skate, porém não obtivemos resposta até a publicação da matéria.

Giovanna Romagnoli 
Matheus Dias

 

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