Em reuniões com o prefeito e vereadores, os moradores cobram melhorias e prazos para as novas promessas feitas nas eleições.
Em outubro de 2016 aconteceram as eleições municipais e os eleitores puderam escolher seus representantes. Em Bauru, Clodoaldo Gazzeta e seu vice, Toninho Gimenes, foram eleitos para ocupar a prefeitura. Além disso, os vereadores Markinho da Diversidade e Chiara Ranieri conseguiram se eleger pela segunda vez. Durante a campanha, Gazzeta fez muitas promessas aos moradores do Jardim Nicéia. Dentre elas, o asfalto, iluminação, esgoto e um problema antigo: a regularização dos terrenos.
Porém, com o passar dos meses, a população ainda não viu o cumprimento dessas promessas. As preocupações em relação à falta de infraestrutura de água e esgoto na Rua 6 continuam. A falta de iluminação em algumas ruas também angustia os moradores pela insegurança de seus familiares e amigos, que, por trabalharem ou estudarem à noite, continuam obrigados a transitar por ruas e locais mal iluminados. A dúvida também permanece quanto aos ônibus, a implantação do posto de saúde e de uma creche, essenciais para a saúde e cuidado da população.
Ruas sem asfalto
Ainda sem solução, ruas esburacadas dão dor de cabeça aos moradores. A mobilidade fica difícil com cada vez mais obstáculos. Américo Cândido de Souza, 62 anos, vive as dificuldades de ser cadeirante num local onde não há acessibilidade. Ele sofre para se locomover, pois a maioria das ruas ainda não são asfaltadas. Segundo o morador da Rua 5, em janeiro, o prefeito Gazzeta disse que iria começar a asfaltar as ruas, mas até agora isso não foi cumprido. Os moradores vão se virando como podem, jogando pedras nos buracos para poderem transitar de carro. Enquanto isso, Seu Américo continua preso
dentro de casa: “Eu mesmo não posso sair daqui, só de carro”, lamenta.

Alagamentos
Seu Américo também cita os problemas que a chuva traz por conta da falta de asfalto no bairro. Sempre que chove, a água entra em sua casa. “Desce um aguaceiro da Rua 6 e vem estragando tudo”, descreve o morador. E ele não é exceção no bairro, muitos moradores têm suas casas inundadas durante períodos de chuva. A moradora Patrícia Prado dos Santos, 29 anos, conta que sua casa ficou alagada após uma forte chuva. Seu desejo é sair do bairro para não enfrentar mais esse tipo de situação: “Eu até tentei o ‘Minha Casa, Minha Vida’”, revela Patrícia.

Prefeitura
Em sua proposta de governo, o prefeito Gazzeta (PSD) assegurou que mensalmente os problemas seriam discutidos através de reuniões no bairro, nas quais os moradores estariam livres para darem sua opinião em relação aos problemas frequentes. Alguns moradores sabem que aconteceu uma reunião no bairro, mas a maioria não sabe ao certo quando ocorreu e o que foi discutido. Algumas reuniões são marcadas em horários comerciais, dificultando o comparecimento dos moradores e não há uma ampla divulgação no bairro. Isso tem impedido os moradores de ficarem a par dos assuntos que são discutidos.
O morador da Rua 2, Sebastião Gerônimo da Silva, 68 anos, compareceu a uma reunião na própria prefeitura. Sobre a regularização, Sebastião relatou que, segundo o prefeito, “os papéis do terreno ainda não estão resolvidos, e ele ainda vai negociar”, mas a promessa permanece sem previsão de solução. Sebastião acrescentou também que o prefeito garantiu que não acontecerão desocupações, e quem possui terras no bairro vai continuar ali, se assim preferir. É bom lembrar que o jornal já registrou ameaças de desocupações de moradores na Rua 6.

Câmara dos vereadores
O vereador Marcos Antônio, mais conhecido como Markinho, garantiu que desde seu primeiro mandato tem lutado por melhorias no bairro. Em entrevista, afirmou que
está em andamento a implantação de uma sinalização de mão dupla nas ruas 2 e 3 para melhorar o fluxo de veículos. A implantação de mais opções de horários de ônibus na linha Centro/Unesp também estaria em curso, diz Markinhos.
O vereador ainda promete trabalhar para a construção de uma quadra de vôlei de areia, por melhor atendimento na saúde e para a finalização do asfalto no bairro.
Sobre a pavimentação, Markinhos informou que Bauru tem um déficit muito grande nessa área. Ele acredita que com a finalização do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sobrará recursos para o município asfaltar as poucas ruas de terra que ficaram de fora do PAC.
A respeito da legalização das moradias do bairro, o vereador afirma que a regulamentação só poderá ser feita pela prefeitura municipal após ser resolvida a disputa judicial entre possíveis antigos proprietários das terras. Quando perguntado em relação aos boatos de desocupação e realocação dos moradores da Rua 6, o vereador deixou claro que “não existe nenhuma possibilidade, nem do poder público, nem da iniciativa privada de se remover os moradores”. Apesar do jornal já ter conversado com antigos moradores da Rua 6 que foram obrigados a sair de suas casas, Markinhos afirma que a desocupação “não passa de boato”. Por estar na extremidade do bairro, pelo matagal e pelas divergências quanto aos atuais proprietários, a prefeitura não está conseguindo realizar as melhorias necessárias.
Ele justifica a falta de infraestrutura na rua e explicou que as benfeitorias demoram mais tempo para chegar nas ruas mais distantes. Além disso, no outro lado da Rua 6 há bastante vegetação, de forma que a manutenção dessa área em boas condições de uso se torna mais complicada e cara.
A equipe do Voz do Nicéia entrou em contato com as assessorias do prefeito Clodoaldo Gazzeta e da vereadora Chiara Ranieri, muitas vezes mencionada pelos moradores quando se aborda a questão das promessas eleitorais, mas, até o fechamento desta edição, os assessores não se manifestaram.
Ana Carolina Montoro
Leticia Alves
Nathalia Soares
Rafaela Martuscelli
