Quem já esteve no Jardim Nicéia sabe que não é difícil encontrar animais abandonados por lá. Os bichinhos desamparados se multiplicam pelas poucas ruas do bairro e revelam uma cena comum no dia a dia dos moradores.
Apesar de ser um crime previsto por lei – com pena que varia de multa à detenção – o abandono e os maus tratos aos animais ainda ocorrem com frequência. Gatos e cachorros são soltos nas ruas e acabam fadados a situações precárias, privados das mínimas condições, sem alimento, água ou abrigo. O resultado desse descaso não podia ser diferente. Com a saúde fragilizada, cães e gatos contraem doenças que muitas vezes podem ser transmitidas para os humanos, ou até mesmo levá-los à morte.

Essa realidade pode estar atrelada à decisão precipitada de se ter um animal de estimação. Os especialistas recomendam que, antes de adotar um animal, se considerem as responsabilidades e cuidados para mantê-lo saudável e feliz. Além disso, é importante conhecer as características do mascote escolhido, como o tamanho, costumes e personalidade, para que não haja surpresas que possam causar a perda do interesse pelo animal. O futuro dono de um bichinho deve levar em conta também sua própria rotina e alguns aspectos que o impeçam de cuidar bem do seu animal: falta de tempo, espaço ou dinheiro, alergias, nascimento de um filho ou gravidez podem ser motivos que limitem uma boa convivência entre humanos e pets.

Alguns moradores do Nicéia relatam a tristeza de ver os gatos e cachorros em situação de abandono. Mesmo com algumas dificuldades financeiras, eles tentam ao máximo cuidar dos animais que entram em suas casas ou permanecem na calçada: dão alimentos, água e um pouco de carinho. “Algumas pessoas pegam os animais pequenos e, depois que crescem, largam na rua”, relata uma moradora da rua TAL.
Vítimas do descaso
Soraya Gasparini, protetora independente de animais, explica como denunciar o abandono: “Se souber quem abandonou o animal, deve-se fazer um boletim de ocorrência com o nome. Se não souber, o BO é feito sem indicar o responsável”. Caso a pessoa tenha condições, pode recolher o animal, tratar, castrar e colocá-lo para a adoção.
A voluntária da ONG Pró Amigo Bicho, Jalile Aziz, afirma que a grande quantidade de animais na rua se deve ao abandono pela população. “Esses animais se procriam e a situação não tem mais fim”, explica. Para ela, a solução é a castração em massa.

Os animais podem transmitir algumas doenças aos humanos, as zoonoses, assim como podemos transmitir doenças a eles. Os humanos são responsáveis por gerar as condições necessárias para algumas doenças se proliferarem, como a leishmaniose, por exemplo. “Nós é que deixamos a cidade suja, com acúmulo de matéria orgânica que atrai o mosquito contaminado que pica os animais, eles são as maiores vítimas”, constata Jalile.
Para Jalile, a consciência é o caminho para uma realidade diferente: “o animal é como um filho: ele precisa de boa comida, um lugar limpo para dormir, cuidados médicos, enfim, uma condição digna de vida”.

Adotar é melhor que comprar
Em Bauru, o órgão responsável pelas doenças de animais transmitidas aos humanos e pelo abandono e maus tratos é o Centro Controle de Zoonoses (CCZ). Quem se interessa em adotar um bichinho também pode procurar o CCZ. Para denunciar um abandono ou se informar mais a respeito das zoonoses, o CCZ fica na Rua Henrique Hunzicker, s/n, Jardim Redentor. O telefone é 3103-8050.

Flávia Gasparini
Juliana Gálico
