Garotos do bairro participam de oficina de escrita e debate sobre o tema.
No último domingo, dia 10, jovens e crianças se reuniram para bater um papo sobre Hip-Hop, no salão da igreja católica do Jardim Nicéia. Os meninos Pedro, Júnior, Alexandre, Erick e Luís Fernando conversaram sobre o tema e participaram da oficina de escrita “Hip-Hop e transformação: Como ele pode mudar a vida das pessoas?”, além de darem boas risadas.

O debate cultural foi conduzido por Luana Protazio, gerenciadora do site “Elogia uma irmã negra” e participante da Frente Feminina do Hip Hop em Bauru. Luana contou aos meninos a história de desenvolvimento do Hip-Hop como “uma ferramenta que dá voz às pessoas esquecidas pelo governo e pela grande mídia”.

Já a explicação sobre os quatro elementos da cultura Hip Hop ficou por conta do morador Alexandre, de 15 anos: “ O Hip Hop tem quatro elementos: break, grafite, DJ e MC. E funciona de forma muito simples, break é dançar, grafite é pintar a parede, mas nada a ver com pichar, MC canta e o DJ remixa músicas”. Além disso, o garoto falou também sobre como surgiu o movimento: “Foi quando tinha guerra de gangues na rua, aí eles começaram a fazer guerra pelo hip-hop, sem violência”.

Para incentivar o debate, Luana apresentou o livro “Quarto Despejo” de Carolina Maria de Jesus, que trata das desigualdades sociais sob a visão de uma catadora de lixo que perambulava nas favelas de São Paulo. A obra de Carolina, segundo Luana, foi apresentada para que os meninos conhecessem e tivessem maior contato com formas de expressão alternativas que representam a realidade das comunidades pelos moradores, assim como pretende o Hip-Hop, “são formas daqueles que são excluídos se expressarem, e estabelecerem uma sintonia entre si” explica Luana Protazio.

Hip-Hop e transformação
Depois do bate-papo, a professora de redação do Cursinho Ferradura da Unesp, Hanna Queiroz, propôs uma redação para os meninos, para que eles expressassem sua realidade e sentimentos pela escrita ou, até mesmo, pelo desenho. O tema foi “Hip-Hop e transformação: Como ele pode mudar a vida das pessoas?”.
Júnior, mais conhecido como Juninho, afirmou que esta atividade era importante porque “arte, tipo redação, é uma coisa que você tira de dentro de você mesmo”. Em resposta à proposta de redação, Alexandre afirmou que a cultura Hip-Hop “já tirou muitas crianças e adultos das drogas, deu trabalho e deu estudo”. Alexandre também expressou sua opinião por meio de um desenho, no qual retratava o reconhecimento do grafite como uma forma de arte por pessoas alheias à realidade desta produção artística.
Mesmo sem a produção de textos, a professora Hanna comentou que “a discussão foi muito válida, porque o Hip-Hop é uma forma de expressão que ajuda a mudar a realidade das pessoas e a descobrir talentos”.

O objetivo do evento foi incentivar a escrita entre os moradores, para que em edições futuras eles possam fazer parte do jornal de forma mais efetiva, escrevendo suas próprias opiniões.
