Aqui
Valdeci mora na rua um do bairro Jardim Niceia. Sua casa é decorada com plantas do lado de fora, entre elas alguns pés de bananeira, um pé de babosa, e muito verde. A frente, existe um muro que separa o bairro de um condomínio que se localiza encravado na entrada do Nicéia. Contra esse muro, Valdeci mantém um espaço harmonioso onde seus clientes podem se sentar para esperar seus pedidos. Explico: Valdeci mantém um pequeno estabelecimento, onde ela vende pastéis e sucos para quem está passando por ali, na rua um. Ela gosta de manter tudo fresco, então avisa que é bom ligar ou mandar mensagem antes para que ela possa preparar. Mas não são apenas pastéis e sucos que ela comercializa. Sua casa tem um portão grande de entrada. Se eles estao abertos, significa que esta acontecendo o bazar. Valdeci também vende roupas para ajudar com os gastos mensais. Ela faz questão de manter tudo em ordem, as roupas organizadas, as calças empilhadas, os sapatos enfileirados, e a luz entrando pelo portão aberto. Além disso, ela trabalha também passando roupas para quem requisitar, e conta que vem gente de fora do bairro para comprar em seu brechó.
Adriana é moradora da rua cinco do Nicéia, é colega de Valdeci que nos indicou sua localização, e também mantém um brechó na entrada de sua casa. Aberto aos sábados e domingos, ele surge como um complemento muito importante de renda para a família – pagar uma multa cara deixada pelo ex-marido. Adriana conta com a ajuda de amigos e da família para arrecadar roupas e vendê-las. O preço é quase simbólico: qualquer peça é um real. Em poucos minutos em meio a tanta roupa, dá pra perceber um monte – literalmente – de roupas e sapatos bacanas para garimpar. Ele existe há poucos meses, e ela conta que vende em média 30 reais por dia que o brechó é aberto. Adriana também faz faxina para fora quando não está em seu brechó.
Vivian mora na rua quatro do bairro, perto de Adriana. Em sua casa, ela e o marido estão montando um estabelecimento, uma espécie de mercearia, que ficará aberto de segunda a segunda, como brinca a vendedora. Mas é verdade. Devido a uma aposentadoria antecipada, Vivian tem a possibilidade de se dedicar sete dias da semana ao negócio. Para ela, é o mesmo que ficar em casa e não dá tanto trabalho assim. O que poucos sabem ao passar ali na frente do estabelecimento, que está praticamente pronto – com alguns últimos reparos do marido que trabalha como pedreiro – , é que no fundo da casa, num quarto dedicado a isso, existe também um brechó. O terceiro que encontramos ali no bairro Jardim Niceia. O quarto amarelo têm estruturas na parede que funcionam como araras, onde as roupas são penduradas. Existem também móveis onde se localizam mais roupas e sapatos. As possibilidades de escolha são muitas, e todas elas garimpadas por sua filha, que ajuda na manutenção do brechó.
Ensaio fotográfico:













Ensaio e crônica por Camila Araujo
