O recesso escolar acontecerá nos meses de abril, julho, outubro e entre janeiro e dezembro. Mudança foi anunciada em abril deste ano.
Por Milena Brito e Rafaela Monteiro

O governador São Paulo, João Dória, anunciou mudanças nas férias escolares da rede estadual. A partir de 2020, o recesso escolar acontecerá quatro vezes por ano. Tais mudanças podem impactar a vida de parte dos moradores do Jardim Nicéia, principalmente dos pais e alunos da rede estadual de ensino.
Nas alterações anunciadas, as férias que hoje acontecem em dois períodos – entre os meses de dezembro e janeiro e entre junho e julho – serão divididas em quatro intervalos. As férias de fim ano terão 30 dias, que permanecem entre os meses de dezembro e janeiro. Já as férias do meio do ano serão reduzidas a 15 dias em julho, além de uma semana no mês de abril e uma semana no mês de outubro.
De acordo com o Secretário de Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, as modificações buscariam melhorar o nível de aprendizagem dos alunos. Ainda segundo ele, a quantidade de dias letivos do calendário escolar não será alterada – ela permanecerá com 200 dias por ano.
Entretanto, para o professor da rede estadual e diretor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), João Dias Zafalão, o anúncio sobre o fracionamento das férias não foi debatido com os professores, alunos e pais de alunos, que terão suas rotinas alteradas. Ele acrescenta que apesar da declaração do Secretário de Educação, não existe relevância pedagógica nas modificações, além de que ela prejudica famílias que trabalham e não terão onde deixar seus filhos nas semanas previstas para abril e outubro.

Guilherme Nascimento, de 16 anos, é morador do Jardim Nicéia e estudante da Escola Estadual Doutor Luiz Zuiani. Para ele, o novo modelo de férias pode trazer benefícios ao repartir os períodos de descanso durante o ano, mas pode não ser bom para os alunos e professores que viajam com as famílias nas férias. Ele também alega que durante as chamadas semanas do “saco cheio”, as aulas já não acontecem pois as atividades são destinadas para recreação e esporte, com torneio interclasses.
Estudante do último ano de pedagogia pela Universidade Cruzeiro do Sul, Bruna Corrêa, reforça o contraponto de Guilherme. Ela diz que essa mudança não é suficiente para que o corpo da criança descanse. Ela ressalta ainda que o estudante não aprende somente no ambiente escolar, mas também no meio onde vive. “Esse período mais extenso auxilia a programação da família de realizar atividades junto aos filhos”, afirma, “se esse período for quebrado, o filho corre sérios riscos de ficar isolado e isso não é benéfico para o seu desenvolvimento”
No caso de crianças pequenas, Bruna alega que a situação é ainda pior. Isso porque elas sofrem com os períodos de readaptação ao ambiente escolar quando retornam das férias, por sentirem falta dos pais: “É na rotina que ela aprende a respeitar a vez do amigo, que existem horários para permanecer sentado, para falar e comer. A mudança prejudica a construção de uma rotina para criança, o que é importante para que ela aprenda a viver em sociedade”.
