Solicitação oficial para horta comunitária foi aprovada pela SEPLAN, voluntários trabalham agora nos próximos passos
Por Isabella Siqueira
Devido a pandemia de Coronavírus que atingiu o Brasil e o mundo, a maioria das atividades e eventos presenciais foram paralisados em todo o estado de São Paulo, incluindo a cidade de Bauru. No entanto, para alguns voluntários e moradores, a distância e a impossibilidade de reuniões no bairro não impedem novas iniciativas para o Jardim Nicéia. E na quarta-feira (5) da semana passada foi aprovado pela prefeitura o pedido para uma horta comunitária e sustentável no bairro.

A iniciativa contou com a colaboração e parcerias das assistentes sociais Vanessa Ramos e Cláudia Clérigo do PMCMV (Programa Minha Casa Minha Vida), a voluntária Cinthia Fernandes do coletivo CSE (Comunidade que Sustenta a Escola), o advogado Daniel Pestana Mota e os moradores Adalton e Fernando Abreu, membros da Associação de Moradores. O grupo tem se reunido remotamente durante a pandemia, e após apresentação de algumas hortas comunitárias organizadas pelo programa PMCMV, surgiu a possibilidade da realização de uma no Jardim Nicéia.
Para Fernando Abreu sempre houve a intenção para um projeto autossustentável e educativo no Nicéia. “Tem todo um desejo de que possa ser inserido junto a esse projeto muita iniciativa voluntária, e pedagógica principalmente” disse o morador. Sendo assim, o objetivo da horta seria abranger todos os moradores, que além de poderem plantar no ambiente também poderiam participar de uma espécie de mini-feira, com uma dinâmica de troca e venda dos alimentos plantados. Ainda segundo Fernando, uma das parcerias será com o SAGAE (Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento), a participação da secretária acontecerá a partir de pronta a estrutura da horta. Posteriormente, a intenção é incentivar a população do Nicéia a estender o cultivo para dentro de casa.
A horta comunitária do Jardim Nicéia será construída em uma área institucional cujo acesso é pela rua Antenor de Almeida, que fica na entrada em frente ao bairro. O projeto também prevê além do espaço para plantação, um possível centro comunitário para toda a comunidade. A construção física ficaria ao lado da horta, e além de ser um ponto para venda e troca dos alimentos plantados também poderá ser utilizada como espaço para aulas, palestras e rodas de conversa sobre temas relacionados ao cultivo e outras demandas dos moradores.
A permissão para utilizar os terrenos destinados à horta ocorreu de forma oficial com a prefeitura. Inicialmente o morador Fernando Abreu com a ajuda dos voluntários protocolou um ofício na SEPLAN (Secretaria de Planejamento) que solicitava autorização, reconhecimento e apoio do órgão. Os trâmites do processo foram acompanhados pelas assistentes sociais Vanessa Ramos e Cláudia Clérigo. E a aprovação do pedido aconteceu ainda na semana passada. Porém, a utilização do terreno contém algumas ressalvas: a área da horta será diminuída devido a uma obra realizada na rua Antenor de Almeida pela construtora Vitta, a rua que dá acesso ao espaço está asfaltada e duplicada.
De acordo com Cinthia Fernandes, que faz parte do CSE, apesar da construção ainda não ter data efetiva já existem ideias do que poderá ser cultivado na horta, que será orgânica e por isso não contará com a utilização de fertilizantes químicos. A prioridade de cultivo seria por: hortaliças, plantas medicinais, as chamadas PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais) e até algumas mudas de frutíferas que seriam doadas para a horta pelo programa MCMV. Cinthia ressaltou também o fácil manejo, baixo custo e o valor nutritivo dessas escolhas.
Devido a pandemia, o cronograma para construção será realizado futuramente. Contudo, o próximo passo já está sendo discutido e em desenvolvimento. Segundo a assistente social Vanessa Ramos, um censo será aplicado no bairro para estudar o interesse dos moradores em participar da horta e o que eles gostariam de plantar, vale ressaltar que a horta não gerará renda por conta do espaço reduzido, mas a produção será própria para o consumo.

do Nicéia.Foto: Cinthia Fernandes/ Reprodução: Voz do Nicéia
