Mobilidade urbana no Jd. Nicéia: um problema longe do fim, mesmo em tempos de pandemia

Moradores sofrem com ônibus reduzidos, aglomerações e escassez de horários

Ônibus da frota do transporte público de Bauru. Foto reprodução: Transurb

Por Bianca Penteado e Camila Martins

A mobilidade urbana no bairro do Jardim Nicéia não é um problema novo. Durante a pandemia de Covid-19, período que exige o isolamento social, os moradores do bairro contam somente com a linha de ônibus 0019, Unip/Makro – Centro, que está funcionando em horários especiais, para chegar até o centro da cidade.

De acordo com a moradora Beatrys Fernanda, 23 anos, os carros da linha 0019 foram substituídos por ônibus menores durante a crise do novo coronavírus e que, mesmo havendo uma diminuição no número de passageiros, eles ainda viajam lotados, pois mais da metade dos moradores utiliza o transporte público para trabalho, estudo ou lazer.

Apesar da redução no tamanho da frota, o preço da tarifa de R$ 4,20 segue o mesmo, assim como o longo período de espera entre um ônibus e outro, que pode variar de 45 minutos à 1h30 minutos nos dias úteis. Aos finais de semana, o intervalo é ainda maior, podendo passar de duas horas, o que prejudica os moradores de exercerem o direito à cidade.

O retorno para a casa também é descrito pela moradora como um momento de sufoco. “Quando o ônibus volta, ele para do outro lado da passarela e isso está dificultando muito”, diz Beatrys, referindo-se a passarela da Rodovia Marechal Rondon. “Existem crianças, pessoas com deficiência e idosos que precisam atravessar uma longa distância para chegar no bairro. Além disso, a noite é super perigoso para as meninas que voltam do trabalho, pois passam muitos carros e pessoas desconhecidas”.

Não se limitando a isso, as complicações na mobilidade urbana do bairro ainda se estendem à área de saúde.  Sem uma linha de ônibus que leve os habitantes do Nicéia ao posto de saúde e pronto-socorro mais próximos, os moradores com complicações são submetidos a caminhadas de mais de meia hora até os locais onde serão atendidos.

Esses obstáculos se tornam mais difíceis de superar, uma vez que o bairro sofre com estigmas por parte dos motoristas de aplicativos. Com viagens que tendem a não entrar no território do Jardim Nicéia, e quando o fazem, ultrapassam o valor dos 15 reais e muitos não conseguem utilizar o serviço.

Vivendo no bairro a vida toda, a entrevistada afirma que já viu diversos moradores reclamarem sobre as questões referentes à mobilidade urbana da região para a prefeitura. Apesar de continuarem sem as respostas necessárias, a cada eleição os candidatos permanecem apresentando propostas que não são devidamente aplicadas e, com isso, desaparecem até a próxima candidatura.

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