Evento no Jardim Nicéia traz mensagens do Hip Hop para adultos e crianças

4° Festa Beneficente RIMÁTICOS contou com a participação de DUSBRABOS 0KTORZE

Por Guilherme Matos e Rafaela Monteiro

O rap tomou conta da Praça do Jardim Nicéia neste final de semana, dia 27 de novembro. O evento beneficente denominado “4° Festa Beneficente RIMÁTICOS com os convidados DUSBRABOS 0KTORZE” foi coordenado por moradores em parceria com os artistas e com a ONG Wise Madness. Os organizadores pediam 1 kg de alimento não perecível, que foi distribuído para famílias do bairro em situação de vulnerabilidade. 

A festa foi comandada pelo Mano Aranha, Davisão MC, Mensageiro Abreu, Renata Silvestre e Ricardo Lemes, com Dj Crall no controle do som. Eles estão juntos desde 2002 espalhando a cultura hip hop pelas periferias de Bauru. Muitos rappers se apresentaram, entre eles: Brooklin MC, Cocão Dquebra, Broderagem, Lucas L, Renata Silvestre, Dgordão, Mano gão, Dom Black; entre outros artistas que não eram somente do Jardim Nicéia, mas sim de outros bairros de Bauru e de outras cidades, como Piratininga e São Paulo.

Mensageiro Abreu à esquerda junto a Davizao Mc à direita cantam a música “Ele Merece” que fala sobre a importância da reintegração das pessoas que saíram do crime na sociedade com “uma chance na vida”. Foto: Guilherme Matos e Rafaela Monteiro

Em suas letras, eles abordam diversos temas buscando ensinar e discutir a realidade brasileira e da periferia. Criticam fortemente o racismo, a homofobia, o machismo, o descaso político frente à pandemia da Covid-19  e outros problemas enfrentados pelo Brasil.

O rapper Brooklin MC, de apenas 19 anos, abordou o racismo estrutural, ancestralidade, desigualdade e como o rap teve importância na sua vida para que não caísse na criminalidade. “Eu canto rap pra não ter que pegar num fuzil, porque senão, essa é a escolha. Se eu parar agora e falar ‘não vou nem no crime, nem cantar rap’ eu vou morrer funcionário de algum burguês de sapato fino, tá ligado? (…) Parça, a minha a cor, eu sou negão, eu venho descendente de rei, eu vou esperar esse cara me dar o que? Eu não espero nada de ninguém”, expressa o MC.

Cocão Dquebra canta a música “Relatório” que critica forma como o Brasil está lidando com a pandemia da Covid-19

O arte-educador Carlos Eduardo (@kaadu, no Instagram) se apresentou no evento e disse em entrevista que os envolvidos na cultura hip-hop têm “um trabalho importante e fundamental que é articular a educação das crianças”. Ele se refere ao público infantil que era forte presença e o que mais se divertiu no evento.

Criança brinca próxima à apresentação dos MC´s. Foto: Voz do Nicéia

Ariel David, o David MC, já se apresentou no festival nacional “Sons da Rua” e  compareceu para prestigiar e apoiar seus amigos. O rapper acredita que, através das rimas, ele pode incentivar outras pessoas e “mostrar um conhecimento, encontrar um caminho”.

Outra atração eram os grafites, pintados na casas enquanto o som rolava. Um dos grafiteiros, Vini Viralata, destacou que “estamos precisando de arte, escutar a batida das caixas e essa é a importância do movimento aqui no bairro”. Dona Maria, proprietária da casa que estava sendo pintada, disse que adora as coisas coloridas e que sua filha de 11 anos gosta muito de ouvir e dançar ao som do RAP.

Vini Viralata, que trabalha há 12 anos com grafites de forma artística e comercial, trouxe novas cores ao muro de Dona Maria. Foto: Voz do Nicéia

O evento durou até às 20 horas e mesmo com ocorrência de chuva os moradores não desanimaram. A festa contou com a presença de MC’s premiados, DJ’s, dançarinos, educadores e grafiteiros, todos unidos pelo RAP, trazendo um pouco da sua arte para contribuir com a arrecadação e disseminar a cultura do hip hop para os moradores do Jardim Nicéia.

Confira mais fotos do evento:

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