Apesar da pandemia de Covid-19 estar impondo limites, projetos de arborização e pátio de compostagem no bairro estão sendo planejados
Ellen Sayuri e Isabella Siqueira

Como noticiado em agosto deste ano, o projeto para uma horta comunitária no Jardim Nicéia segue em seus primeiros passos. Após ter sido concedida a permissão do uso do terreno, situado em frente ao bairro, pela Prefeitura de Bauru, também em agosto, voluntários e moradores dão continuidade ao projeto e iniciam os plantios nas casas de alguns habitantes. Ainda por causa da pandemia do coronavírus, a construção física do espaço avança com ressalvas.
Para Cinthia Fernandes, voluntária que atua pela CSE (Comunidade que Sustenta a Escola), o propósito do projeto é a criação em parceria com os moradores do Nicéia. “Durante o plantio pudemos conhecer pessoalmente alguns moradores e fortalecer os laços iniciais de parcerias futuras”, disse Cinthia.
Após a permissão da prefeitura para realização da obra, o próximo passo foi a realização de um censo no Jardim Nicéia. Aplicado em setembro pela Equipe do Trabalho Social do PMCMV (Programa Minha Casa Minha Vida), junto à Campanha de Prevenção à contaminação pelo coronavírus, o questionário teve como objetivo levantar dados sobre o bairro e o interesse dos habitantes em se envolver na horta comunitária. Entre as perguntas elaboradas no censo também foram feitos questionamentos sobre o bioma Cerrado, por causa, principalmente, da proximidade do bairro com uma área de preservação ambiental com essa vegetação.
Por conta da pandemia da Covid-19, a construção física da horta permanece paralisada. Contudo, em novembro, foram realizados plantios de mudas nas casas de alguns moradores do bairro por alguns voluntários do projeto que estão acompanhando e prestando assistência também. Doadas pela prefeitura e por amigos do Jd. Nicéia, as mudas foram plantadas nos quintais dos residentes que demonstraram interesse através do censo. A partir de um catálogo virtual, foram escolhidas mudas de bananeiras, Ipês e árvores frutíferas como uvaia, acerola e pitanga.

Diante do desconhecimento dos moradores acerca do cerrado brasileiro, surgiu a iniciativa de inserir no catálogo mudas da vegetação característica do bioma. Além da horta e dos plantios iniciais, os voluntários também planejam um projeto de arborização da praça, que também contará com mudas do cerrado.
O projeto prevê uma horta comunitária autossustentável numa área institucional em frente ao Jardim Nicéia, cujo acesso será pela rua Antenor de Almeida, e terá também como objetivo a geração de renda pela venda e troca dos produtos plantados. Contudo, de acordo com Caroline Turolla, estudante de Arquitetura e Urbanismo pela Unesp Bauru e voluntária no projeto, esse objetivo deve ser repensado, visto que o tamanho reduzido do terreno é insuficiente para geração de lucro a partir da venda dos excedentes.
Ainda como dito por Turolla, apesar da construção física da horta permanecer parada por conta da pandemia, já está sendo planejado pelo grupo o contato com os moradores sem gerar aglomerações. Mas, os detalhes do funcionamento e administração só poderão ser definidos a partir do envolvimento deles com a horta.
Adalto Candido, presidente da Associação de Moradores do bairro e que está ajudando na organização da horta, fala sobre a sua expectativa em relação a ela: “Espero que a horta cresça, tenha uma boa plantação, venha a dar bons frutos e que o bairro e a redondeza possam usufruir disso”. Adalto está encarregado de integrar a comunidade no projeto e está em busca de profissionais voluntários para ajudar a plantar e colher. Grace Moura, também moradora do bairro, conta o que espera. “A plantação na horta vai ajudar as pessoas a interagirem mais entre si e ensinar como cuidar do meio ambiente”, diz ela.
Por ser necessário aguardar a obra na rua de acesso ao bairro, onde terá a horta, pensou-se na possibilidade de criar um pátio de compostagem. De acordo com Vanessa Ramos, assistente social do PMCMV (Programa Minha Casa Minha Vida), será disponibilizada uma voluntária para auxiliar os moradores interessados no projeto. “Eles serão sensibilizados, instruídos e acompanhados sobre os lixos gerados”, finaliza Cinthia Fernandes.
Portanto, são três projetos em andamento dentro do grupo Amigos do Nicéia: horta comunitária, arborização e pátio de compostagem orgânica. Espera-se que eles sejam inseridos como política pública em moldes de associativismo, inclusão e relações sustentáveis. No momento, para dar continuidade, todos estão dependendo da situação da pandemia de Covid-19, então, por enquanto, apenas foram feitos planejamentos e ações pontuais.
