Variante de Manaus já compreende 49% do total de casos da covid-19 no município enquanto cerca de 300 pessoas ainda não voltaram para receber a segunda dose da vacina
Por Beatriz Oliveira, Rebeca Lajarin e Sérgio de Toledo

A vacinação em Bauru segue correndo contra o tempo. Ao mesmo tempo em que a cepa do novo coronavírus P.1, identificada inicialmente em Manaus (AM), se alastra rapidamente pelo município, cerca de três centenas de bauruenses ainda não voltaram para tomar a segunda dose da vacina, segundo boletim epidemiológico divulgado pela prefeitura no último mês — não sendo considerados, portanto, imunizados contra a covid-19. Como a vacinação em massa é uma estratégia coletiva, é fundamental que os cidadãos estejam em dia com as duas doses para que o vírus diminua sua circulação.
Em Bauru, a campanha de vacinação em massa contra a covid-19 teve início no dia 25 de janeiro — cinco dias após o técnico de enfermagem José Luiz Costa Magalhães, 66 anos, ser o primeiro imunizado com a vacina CoronaVac em uma cerimônia simbólica promovida pela Secretaria da Saúde. Os profissionais que estão na linha de frente no combate contra a pandemia foram os primeiros a terem prioridade.
No momento, o direito à vacinação gratuita e universal no município de Bauru contempla todos os idosos com 60 anos completos ou mais. O agendamento deve ser feito no site da Prefeitura de Bauru (www.bauru.sp.gov.br/agendamentovacinas) para tomar o imunizante de segunda a sexta-feira nas UBSs (Unidade Básica de Saúde) e USFs (Unidade de Saúde da Família) da cidade. Quem for se vacinar deve estar munido com RG, CPF e comprovante de residência — como uma conta de água ou de energia elétrica, por exemplo — quando comparecer na unidade de saúde no horário marcado.
Também estão na sua vez de se imunizar contra a covid-19, segundo o cronograma de vacinação municipal, as pessoas com Síndrome de Down entre 18 e 59 anos, pessoas que passaram por algum transplante de órgão sólido e usam medicamentos imunossupressores, renais crônicos que fazem hemodiálise, profissionais da farmácia, cuidadores de idosos e os profissionais da saúde que não conseguiram receber a vacina em meados de fevereiro.
Desde o último dia 18, a imunização também passou a abranger gestantes e puérperas — mulheres que tiveram filhos há até 45 dias — com comorbidades, que serão vacinadas com o imunizante CoronaVac após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sugerir a suspensão da vacinação de grávidas com a Oxford/Astrazeneca. As mulheres deste grupo que forem se imunizar com a primeira aplicação devem se dirigir à Casa da Mulher das 9h às 13h depois do agendamento — levando consigo os documentos de identificação, laudo médico que ateste a comorbidade e a carteirinha pré-natal (para gestantes) ou certidão de nascimento da criança (para puérperas).
Além disso, pessoas entre 40 e 44 anos com comorbidades, e também pessoas desta mesma faixa etária com deficiência permanente que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), podem comparecer nas Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Saúde da Família para receberem a primeira dose da vacina contra a covid-19. A aplicação do imunizante acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h. Apenas as UBSs da Vila Falcão, Geisel e Mary Dota não aplicam a vacina.
Nesses casos, além do RG, CPF e comprovante de residência, é necessário levar no dia da vacinação a comprovação de que possui uma das comorbidades definidas pelo Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. É considerado comprovante: exames, receitas, relatório médico, entre outros documentos.
Têm direito à segunda dose os idosos com 64 anos completos ou mais. Para receber o reforço do imunizante, o procedimento é o mesmo descrito acima — agendamento pelo site da prefeitura e comparecimento em UBS ou USF. No entanto, para quem irá tomar a segunda dose, é necessário levar o cartão onde consta a aplicação da primeira dose junto dos demais documentos.

Receber a segunda dose da vacina é indispensável para que o imunizante tenha o efeito completo e proteja o organismo do SARS-CoV-2, vírus causador da covid-19. O intervalo ideal entre a primeira e a segunda dose para a aplicação da CoronaVac é de 2 a 4 semanas – já a vacina Oxford/AstraZeneca pede 12 semanas. A data de retorno pode ser conferida no cartão de vacina para aqueles que ainda precisam completar a sua imunização.
Em todo o país, milhares de pessoas que se vacinaram com a primeira dose não apareceram nas unidades de saúde dentro do prazo para tomar o reforço — e em Bauru não é diferente. Segundo informe da prefeitura do último dia 5, cerca de 300 bauruenses com 68 anos ou mais ainda não voltaram para receber a segunda dose do imunizante.
Os especialistas da saúde defendem que, caso o prazo seja perdido, deve-se procurar uma unidade de saúde para tomar a segunda dose da vacina. O infectologista Dr. Taylor Toscano, formado em Medicina pela UNESP de Botucatu, em entrevista ao Voz do Nicéia, reafirma a necessidade de aplicação da segunda dose. Segundo ele, “ela [a vacina] só tem efetividade completa na sua função após a segunda dose”.
A vacinação em massa é crucial, sobretudo, pelo perigo iminente das novas cepas da covid-19. Todo patógeno sofre mutações quando passa de pessoa para pessoa e tem contato com novos organismos – e, conforme vai fazendo mais hospedeiros, pode tornar-se mais contagioso e resistente.
Exemplo prático disso é a variante P.1 – 501Y.V3 – também chamada de variante brasileira e detectada pela primeira vez em Manaus (AM). Hoje, é consenso entre os cientistas que esta cepa da doença deixa uma carga viral (termo técnico para definir a concentração de um vírus no paciente infectado) 10 vezes maior no organismo do hospedeiro e está diretamente relacionada com o aumento de óbitos na população jovem no Brasil, por ser mais transmissível e possivelmente mais letal.
Em Bauru, a variante P.1 foi notificada pela primeira vez no início de março, com somente três amostras. Agora, em maio, a nova cepa já compreende cerca de 49% do total de casos de covid-19 no município. Em regiões próximas, a variante de Manaus também se tornou expressiva, como em Marília (51%), Presidente Prudente (52%) e Araçatuba (59%).
Por este motivo, é essencial que as pessoas continuem seguindo os protocolos sanitários para mitigar a circulação do vírus – mesmo que depois de receber as duas doses da vacina. Dr. Taylor ressalta que o objetivo da vacinação consiste em reduzir a necessidade de leitos de UTI, internações e mortes. Entretanto, informa que “elas [as vacinas] podem reduzir o potencial de manifestação da doença, porém podem não diminuir a transmissibilidade”. Desse modo, se faz indispensável o cumprimento dos protocolos sanitários, já que as pessoas imunizadas podem se tornar assintomáticas “porém carreadoras do vírus e ainda disseminadoras”.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso de máscara, isolamento social e ventilação de ambientes como medidas a serem adotadas para achatar a curva de transmissibilidade da doença. Para quem precisa sair de casa por motivos de trabalho, é fundamental estar atento e manter o cuidado redobrado com a higienização – lavando as mãos com frequência e utilizando álcool gel.
Em Bauru, até o último dia 27 já eram 42.611 casos confirmados da covid-19 na cidade. As taxas de ocupação de leitos de UTI dedicados ao tratamento da doença estão em 100%, tanto no DRS (Departamento Regional de Saúde) quanto no município. No vacinômetro, 96.191 já haviam sido vacinados com a primeira dose e 55.637 com ambas as doses — 25,36% da população. Desde o começo da pandemia, 864 cidadãos bauruenses perderam as suas vidas para a covid-19.
