Os treinos começaram no último dia 29 e estão sendo realizados ao ar livre
Por Caroline Campos
Áudio por Matheus Braga

As aulas de jiu-jitsu estão a todo vapor no Jardim Nicéia. Depois da parceria entre a Enactus Unesp e o grupo Amigos do Nicéia, que permitiu a compra dos tatames, os moradores do bairro já podem participar dos treinos ministrados pelo professor Fábio Fernandes Maranho, que ocorrem todos os sábados, às 18h, na quadra do Nicéia.
Até o momento, foram realizadas duas aulas – a primeira no dia 29 de maio e a segunda no dia 5 de junho. Por enquanto, as aulas são voltadas apenas para os adultos, mas o professor Fábio e os voluntários já estão se organizando para, em breve, atender as crianças também.
Visando o compromisso, o respeito e o cuidado, todos os participantes terão a temperatura corporal medida antes das aulas, e o uso do álcool em gel e da máscara é fundamental para que o ambiente seja seguro para todos. No entanto, o professor reforça que cabe a cada um a responsabilidade de se cuidar da melhor forma possível, principalmente porque Bauru já superou a marca de mil mortos em decorrência da Covid-19.
Quanto ao uso do kimono, traje utilizado para praticar a luta, Fábio afirma que é, sim, essencial para o treino, mas entende que muitos moradores do bairro não têm condições de comprar a peça. Por isso, o uso de vestimentas comuns é permitido enquanto a organização das aulas não consegue angariar doações.
A aula inaugural contou com cerca de oito alunos, todos sob a supervisão de Fábio Maranho e Júlio Castro, voluntário no projeto. “Foi uma experiência muito boa. Conversamos bastante, passando uma visão de como funciona o jiu-jitsu dentro e fora do tatame, a filosofia, o respeito e as oportunidades que todos podem ter através da luta”, afirma o professor.
O professor Fábio, que cresceu no Jardim Nicéia, relembra sua trajetória com a arte marcial, responsável por abrir um novo caminho em sua vida. “Tive uma oportunidade que abracei com unhas e dentes. E sei que no bairro, assim como eu, muitos só precisam de uma oportunidade (…) Estou disposto a ajudar aqueles que quiserem ser ajudados”, afirma o atleta, que hoje é dono da própria escola de jiu-jitsu, Gracie Barra, na cidade de Agudos.
Para Júlio, que pratica a luta há sete anos e também é instrutor de jiu-jitsu em Bauru, ocupar a mente com o esporte ainda pode auxiliar na saúde mental durante o isolamento social. “[O jiu-jitsu] ajuda na mente, no físico. Não tem idade, cada um treina no seu ritmo (…) Na fase que nós estamos hoje, com a pandemia, as pessoas estão mais prejudicadas com a mente do que com a doença”, lamenta o voluntário. “É uma ocupação para a molecada, né. Você tem outra visão, outros objetivos. O jiu-jitsu pode te levar para vários caminhos”.
Participar de um esporte como o jiu-jitsu ajuda na disciplina, no condicionamento físico e é um direito de todo cidadão. Ele pode auxiliar na socialização dos indivíduos e incentivar a diversidade, o respeito e a criação de vínculos. “O jiu-jitsu pode ir muito mais além de uma luta no tatame. Sou prova disso”, finaliza Fábio. Para os moradores do bairro, as aulas são uma oportunidade imperdível – apenas compareça à quadra aos sábados, 18h.
