Editorial: No Dia Internacional da Democracia, precisamos defendê-la mais do que nunca

O texto abaixo reflete, unicamente, a opinião do Jornal Voz do Nicéia.

Foto: Reprodução/memória da ditadura

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O dia 15 de setembro é tido como o Dia Internacional da Democracia. Mas, afinal, o que significa viver em uma democracia? Para explicar o termo, precisamos partir do começo e voltar no tempo, mais especificamente para a Grécia Antiga do ano de 510 a.C.

Tendo origem na cidade de Atenas, o conceito de “democracia” provém da união dos termos demo, que significa “povo”, e kracia, que significa “governo”. Portanto, de maneira bem simplificada, a palavra democracia significa “governo do povo”. Quando surgiu, este governo acontecia de forma literal, onde os próprios cidadãos eram responsáveis por ocupar posições no governo, seja na administração ou no judiciário.

No entanto, assim como tudo evolui, com a democracia não seria diferente. Por mais simples que pareça, definir a democracia moderna não é algo tão fácil. Isso porque, para que um governo democrático realmente aconteça, precisamos considerar uma série de fatores que vão além de apenas eleições ou a opinião da maioria.

Hoje, muito se tem discutido a respeito de democracia, de ditaduras e de golpes militares. O regime democrático brasileiro se segura a trancos e barrancos desde 1988, quando, promulgando uma nova Constituição, Ulysses Guimarães declarou: “Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo. Amaldiçoamos a tirania onde quer que ela desgrace homens e nações”

As palavras reverberaram em um Brasil recém-saído de uma Ditadura Militar (1964 – 1985), que, por 21 anos, perseguiu, torturou e calou milhares de brasileiros que lutavam pela liberdade – de expressão, de imprensa, de existir, de discordar. No entanto, mais de 50 anos depois daquele fúnebre 31 de março de 1964, os ataques incessantes a nossa jovem e frágil democracia criam o ambiente perfeito para que o autoritarismo rasteje para fora dos esgotos e volte a gritar na cara da população. 

Episódios como o do último 7 de setembro, quando manifestações a favor do atual presidente e da volta dos militares ao poder foram noticiadas pelo Brasil, reforçam que não devemos nunca baixar a guarda e deixar de defender a Constituição. “Discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca”.

É fato que a democracia brasileira não é perfeita. O Brasil ainda está longe de se firmar como um país igualitário, em que todas as vozes são ouvidas na mesma altura. Povos indígenas são massacrados, pessoas pretas são assassinadas, mulheres são violentadas, pobres imploram por ossos. É a revolta e a indignação com a atual situação que premeditam a mudança, e essa mudança só pode acontecer dentro de um regime democrático.

Em 2021, quando atacamos as minorias, as instituições, os três poderes, e até mesmo a imprensa, colocamos em xeque a pouca democracia que nos resta, e entregamos nossa existência a um poder absoluto e ditador que não governará em prol do povo. No Dia Internacional da Democracia precisamos questioná-la e melhorá-la, mas, mais do que nunca, precisamos defendê-la. 

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