Parquinho infantil tem brinquedos danificados e moradores reclamam que local foi abandonado pela gestão municipal
Por Bianca Penteado e Sabrina Graziela Ferreira

Localizada nas ruas 2, 3 e 4 do bairro, a praça do Jardim Nicéia é a área de lazer e o principal ponto de encontro dos moradores. Com 2.400 metros quadrados, o espaço, que comporta um quiosque, uma quadra esportiva e um parque infantil, vem sendo alvo de denúncias.
Cada vez mais degradado e sem condições de uso, o local enfrenta os problemas do desamparo perante a Prefeitura Municipal. A sujeira, o mato alto e, principalmente, a falta de manutenção em brinquedos do parque foram algumas das situações confirmadas pela população.
Segundo o líder comunitário do bairro, Adalton Cândido, o número de vistorias realizadas na praça nos últimos seis anos foram mínimas, e não houve qualquer intervenção para a preservação das instalações. “Os balanços, assim como todos os outros brinquedos do parquinho, estão danificados, e não houve nenhum procedimento de recuperação. Eu até removi o escorregador por estar muito deteriorado e perigoso”, conta o morador.
Em conversa com o Voz do Nicéia, Gustavo Rissato, diretor de divisão do Departamento de Lazer, da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SEMEL), confirmou que a última fiscalização dessas áreas foi realizada no fim de 2019. Ele ainda relata que, devido a pandemia, os trabalhos de manutenção foram interrompidos e retomados apenas este ano.
O grande problema para o setor de Lazer, entretanto, aparenta ser a ausência de uma verba própria, sendo que todo o montante financeiro necessário para as obras é retirado do Esporte. Sobre isso, a assessoria de comunicação do poder público do município informa que “a prefeitura de Bauru não destina verba específica para a manutenção de espaço público. O valor é diluído para cada secretaria e feito com mão de obra própria”.
Em processo regulamentar na justiça, a irregularidade fundiária ainda é um obstáculo para o desenvolvimento da infraestrutura no Jardim Nicéia. Sem um veredito final para a consolidação do bairro, o Estado não pode realizar investimentos no local, além da reparação do que já foi feito, sem desobedecer a lei.

Questionada a respeito do assunto, a SEMEL não estabeleceu um prazo para a execução das reformas necessárias na praça do bairro, mas afirmou estar ciente da condição em que o espaço se encontra.
“A questão é que temos mais de 150 locais em Bauru para fazer esse tipo de manutenção. Então, sabemos do problema, temos tudo documentado, mas não temos tempo hábil para isso. Vamos fazer, mas não conseguimos dizer quando”, explica Rissato.
Diante do desamparo das autoridades municipais, com a quadra e os brinquedos do parque danificados, são os moradores do Jardim Nicéia que tomam frente no cuidado da praça.
De acordo com Joiceane Nunes Batista, de 27 anos, os civis realizam desde a limpeza até a manutenção da grama, tentando preservar o espaço. Ainda assim, para a segurança daqueles que o frequentam, ações efetivas do Executivo municipal são indispensáveis.
Em uma visita ao bairro em janeiro deste ano, a prefeita Suéllen Rosim recebeu um abaixo assinado contendo demandas urgentes dos habitantes, como a melhoria na iluminação local e a cobertura da quadra esportiva. Até o momento, não houve retorno nem prazo para a solução da maioria dos problemas.
