Em Bauru e no Brasil, vacinação infantil contra a covid-19 avança apesar das Fake News

“Nenhuma outra doença imunoprevenível causou tantos óbitos em crianças e adolescentes no Brasil em 2021 como a covid-19”, afirma especialista

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Por Julie Anne, Matheus Braga e Sérgio de Toledo

A espera pela vacinação infantil chegou ao fim, e para proteger todas as crianças é necessário vaciná-las com as duas doses recomendadas (Imagem: Paulo Eduardo Campos/Prefeitura de Bauru)

Cerca de 3 mil brasileiros podem ser salvos pela campanha de vacinação infantil contra a covid-19 até o mês de abril. É o que aponta o Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS), ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Segundo a pesquisa, se a imunização pediátrica acontecer na velocidade ideal — com pelo menos 1 milhão de doses aplicadas por dia — a taxa de transmissão do vírus tende a ser encolhida, reduzindo hospitalizações e mortes decorrentes da doença.

Em Bauru, cerca de 18.600 crianças entre 5 e 11 anos já estão em dia com a primeira dose da vacina desde que a Secretaria de Saúde da cidade deu início à campanha de imunização no público infantil, em 18 de janeiro. O número compreende 62% dessa faixa etária residente no município.

Para garantir a vacinação dos seus filhos contra a covid-19, desde a última segunda-feira (14) os pais conseguem vacinar os filhos sem a exigência de realizar o agendamento pelo site da Prefeitura de Bauru. Os responsáveis podem comparecer junto da criança em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Unidade de Saúde da Família (USF) das 8h às 15h, obrigatoriamente munidos do CPF da criança, de um comprovante de endereço — como uma conta de água ou de energia elétrica, por exemplo — e do cartão do SUS. Aos que vão tomar a segunda dose, também é pedido o cartão de vacinação demonstrando a primeira imunização.

Em Bauru, a vacina está sendo aplicada em UBSs e USFs, de segunda a sexta-feira, das 12h às 16h, são mais de 70 locais disponíveis para vacinação e não necessitam de agendamento prévio (Imagem: Prefeitura de Bauru) 

Em todo o Estado de São Paulo, são 3.979.463 doses distribuídas entre o público em idade pediátrica — ou seja, 72.91% das crianças paulistas já estão protegidas com a primeira aplicação do imunizante. Trata-se da melhor média do país, tanto em quantidade de vacinas aplicadas quanto na dimensão da cobertura vacinal do público-alvo.

Quando o assunto é o Brasil como um todo, no entanto, o cenário se modifica. 52.43% da população entre 5 e 11 anos recebeu a primeira dose da vacina contra a covid-19, o que significa que foram imunizadas 10.7 milhões de crianças em todo o país. Estes dados, compilados pelo consórcio de veículos de imprensa junto a secretarias de 26 Estados e Distrito Federal, evidenciam uma vacinação infantil que ainda avança em ritmo desigual entre as regiões brasileiras.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a vacinação infantil é imprescindível, sobretudo, por dois motivos: em primeiro lugar, pela segurança das próprias crianças — visto que, proporcionalmente, o Brasil é o segundo país em todo o mundo que mais perdeu crianças para a SARS-coV-2 durante a pandemia, ficando atrás somente do Peru. E, em segundo lugar, para não permitir que elas atuem como vetores da doença, propagando o vírus e fazendo com que a covid-19 continue circulando entre os adultos e idosos.

Em um momento de começo do ano letivo em Bauru, com os 21.942 alunos matriculados na rede municipal de ensino retornando às aulas presenciais desde 8 de fevereiro, é crucial certificar que as crianças não irão transportar a covid-19 da escola para casa — ou vice-versa.

Em entrevista para o Voz do Nicéia, o infectologista pediátrico Dr. Marcelo Otsuka afirmou que a vacinação infantil pode reverter quadro de internações e mortes entre crianças. “Temos uma população de adultos protegidos, mas não de crianças protegidas. Assim estamos vendo mais crianças internadas e morrendo porque elas não estão vacinadas”, alerta. 

Otsuka disse, ainda, que as informações falsas que correm pelas redes sociais sobre a vacinação causar reações graves em crianças prejudicam a imunização em massa. “Não há nenhum registro de criança que teve reação grave à vacina contra covid-19 no Brasil e só com todas as crianças vacinadas junto a população adulta, atingiremos um bom nível de segurança em relação ao vírus”, esclarece.

VACINA INFANTIL: GARANTIA DE SEGURANÇA E EFICÁCIA

Para tomar a segunda dose da vacina, é preciso ter em mãos o comprovante de vacinação  (Imagem: Prefeitura de Bauru)

Desde que, ainda em dezembro de 2021, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) passou a apreciar a possibilidade de acrescentar crianças de 5 a 11 anos no Calendário Nacional de Vacinação, inúmeras notícias falsas surgiram na internet, disseminando mentiras sobre a imunização infantil. Informações inverídicas sobre supostas enfermidades causadas pelos imunizantes ou afirmando que as crianças estão sendo “cobaias de vacina” já foram contraditas por profissionais da pediatria e por agências de checagem de notícias, como afirma o Dr. Marcelo Otsuka, infectologista pediátrico.

Em 16 de fevereiro, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) veiculou uma nota técnica sobre as fake news acerca das vacinas pediátricas:

“O Brasil iniciou em 15 de janeiro de 2022 a vacinação infantil contra a Covid-19, após a Anvisa aprovar a indicação de seu uso em crianças de 5 a 11 anos em 16 de dezembro de 2021. Contudo, a difusão de notícias falsas tem provocado resistência das famílias sobre a eficácia e segurança da imunização para esta faixa etária, mesmo que todas as evidências científicas disponíveis atualmente sejam favoráveis a esta medida. E o contexto não poderia ser mais preocupante: o retorno das atividades escolares presenciais”

Os imunizantes, antes de serem oferecidos à população, enfrentam dezenas de etapas em ensaios clínicos criteriosos nas quais a sua segurança e eficiência são atestados sob o mais alto rigor científico. 

É consenso entre os cientistas que a vacinação em massa — inclusive entre o público infantil —, aliada de medidas como o uso de máscara, a ventilação de ambientes e o distanciamento social quando possível, ainda é a melhor maneira de enfrentar a pandemia de covid-19 — que ainda se faz intensamente presente no Brasil. Somente nas últimas 24hrs, foram mais de 11 mil novos diagnósticos da doença.

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