Por Eduarda Cardoso, Leticia Stradiotto e Marcos Lourenço

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Moradora antiga e notável líder do Jardim Nicéia, Maria Thereza Abreu, carinhosamente conhecida como Therezinha, nos recebeu com muita atenção em sua casa em frente à praça principal e à quadra do bairro, onde ocorrem os campeonatos de futebol e as integrações entre os moradores. Após um longo dia de trabalho, Therezinha nos conta sobre sua história de vida demonstrando que obstáculos e dificuldades são o que nos fazem cada vez mais fortes.
Maria Thereza Abreu tem 65 anos, é viúva e mãe de 5 filhos. Nos anos 2000, vendeu sua casa em São Paulo e veio morar de aluguel no Jardim Nicéia. Depois de um ano, ela conseguiu iniciar a construção de sua casa própria com os esforços de seu trabalho como doméstica e também como vendedora de deliciosas coxinhas pelo bairro.
No ano de 2005, foi para os Estados Unidos acompanhada de seu filho Davi, que na época tinha 18 anos. Dona Therezinha comenta que essa mudança foi parecida com o enredo da telenovela América, da TV Globo. A trama conta a história de uma brasileira que atravessa a fronteira do México e chega ilegalmente ao solo estadunidense em busca de melhores oportunidades de vida. “Eu fazia de tudo um pouco no exterior, limpava do chão ao teto“, relata. Depois de quatro anos enfrentando os desafios enquanto imigrante, ela retornou ao Jardim Nicéia em 2009 para finalizar a construção de sua casa atual.
O lar de Dona Therezinha é símbolo de muita força e gratidão. A moradora sustenta desde sempre – com muito trabalho, garra e persistência – a casa, os filhos e seus nove netos. Ela acompanhou o asfaltamento das ruas, o tapamento de buracos e a construção de casas melhores para a comunidade. “O Nicéia melhorou 100% desde que cheguei aqui”, afirma .
Maria Thereza já teve um restaurante no bairro. Ela conta que, além de fazer marmitex para os moradores em situação de vulnerabilidade, o estabelecimento recebia cerca de 30 alunos da UNESP para auxiliar e acompanhar o trabalho do Programa de Ativação Econômica e Social (PAES). “Eu queria muito voltar a fazer aquela comida que eu fazia. Não para vender, mas para ajudar, para dar às pessoas”, revela
Apesar das dificuldades, Therezinha não deixa sua saúde mental de lado e agenda visitas com psicóloga sempre que necessário. “Vou na psicóloga quando estou bem atacada […] porque eu sou muito ‘eu quero hoje’, mas as coisas não funcionam assim” diz a moradora em tom de brincadeira. Ela nota uma grande ajuda desse acompanhamento na maioria das vezes em que frequenta.
Mulher, mãe, trabalhadora e guerreira: Maria Thereza Abreu enfrentou e continua enfrentando os obstáculos da vida com muita perseverança e coragem. Seu perfil nos atinge com muita emoção e serve de inspiração para continuarmos em frente, por mais que existam pedras no meio do caminho.
