Sem dados, não temos como saber a real magnitude dos casos de infecção, diz especialista
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Por Larissa Mateus, Ivis Mancini e Vitor Tenca

Após dois anos desde o começo da pandemia, a Covid-19 continua assombrando Bauru. Os esforços de vacinação totalizam 88,08% da população com a segunda dose, mas de acordo com o último informe epidemiológico da Prefeitura, atualizado no dia 29 de agosto, o número de casos de covid-19 e a taxa de ocupação de leitos na cidade estão novamente aumentando, mostrando a atual fase da pandemia: uma quarta onda.
De acordo com os moradores do bairro Jardim Nicéia, o acesso à saúde pública, tanto para a realização de testagens quanto para o tratamento da Covid-19, é diretamente impactado, visto que o bairro não possui uma unidade de saúde, o que leva à necessidade dos moradores se deslocarem para outras regiões da cidade.
No caso da moradora Elke Mariano, que positivou para Covid-19 em 2020, foi necessário procurar auxílio médico na UPA Geisel Redentor, localizada a aproximadamente quatro quilômetros do Jardim Nicéia. Ela conta que recebeu um ótimo tratamento, porém, a falta de uma unidade presente no bairro dificulta o acesso dos moradores. Isso porque, para ir ao posto de saúde do Jardim Europa, o mais próximo, é preciso atravessar uma ponte e ‘cortar’ caminho pelo mato, uma tarefa perigosa segundo a moradora. “Aqui, a gente até brinca que, para ir ao posto de saúde, precisamos formar uma comitiva. Só assim para criar coragem para ir. Então, perguntamos quem mais precisa ir, juntamos umas dez pessoas e vamos em comitiva, todos juntos”, relata Elke.
Em entrevista ao Voz do Nicéia, o doutor infectologista Taylor Toscano defende que estamos vivendo a quarta onda. Ele chama atenção para a quantidade de casos subnotificados: “Como passamos por um momento de subnotificação, não temos a real magnitude da quantidade correta de infecções. Com os autotestes disponibilizados de forma particular, as pessoas costumam fazê-los e isso acaba não sendo notificado oficialmente”.
De acordo com os informes epidemiológicos do G1, que são fundamentados no Consórcio de Veículos de Imprensa, foram confirmados 4.423 novos casos na última terça-feira (30) no estado de São Paulo, e 44 novas mortes. Enquanto que a cidade de Bauru, no mesmo dia, apresentou 43 novos casos. No mês de agosto, foram registrados 408 casos no total na cidade, sendo 214 entre os dias 16 e 30, segundo o G1. Conforme o levantamento do Jornal da Cidade, 4 mortes pela doença foram contabilizadas no período.
Taylor Toscano também afirma que o relaxamento no uso de máscaras e o esquema vacinal não completo é a principal causa do aumento de casos – ” Quando temos muitos vírus circulando, por conta dessas medidas que não estão sendo cumpridas, a gente passa a ter cepas que fogem de imunização ou de infecções prévias”, explica o infectologista. “Culturalmente, não temos, no Brasil, o costume que outros países têm de usar máscara no período de inverno. Esse senso coletivo, que esperávamos que ficasse para a população brasileira, talvez não esteja de forma tão intensa quanto gostaríamos”, complementa o médico.
Contudo, a visão do infectologista para o futuro do Brasil em relação a pandemia é otimista. “Se nada novo aparecer até o final do ano, a gente passa a ter um equilíbrio [no número de novos casos] e poucas internações. No ‘novo normal’, o uso de máscaras deve permanecer apenas em períodos de controle específicos”, esclarece Toscano.
Vale também reforçar que as indicações de prevenção e cuidado com o coronavírus continuam as mesmas, isto é: o uso de máscaras em ambientes fechados ou aglomerados, e o isolamento para casos confirmados de Covid.
Seja na economia, na redução de dias perdidos no trabalho por conta dos diagnósticos positivos e até mesmo na educação das crianças, que foi drasticamente afetada pela necessidade da quarentena, as medidas de prevenção são extremamente importantes para combater a quarta onda.
