Empreendedores do bairro: pintura, bolos e lava car de Eliana e Adilson

O Voz do Nicéia encontrou Adilson fazendo o que aprendeu ainda menino, quando chegou ao bairro: a pintar. Há 10 anos, ele decidiu ser seu próprio chefe e trabalhar como pintor. “O compromisso é maior, mas tem a parte boa também”, reflete Adilson Felipe, que entrou na profissão como ajudante. “Conheci com uns 13 anos, daí gostei e resolvi ficar nisso”, explicou.

Antes de dedicar seus dias às pinturas, ele já trabalhou em colheita e como pedreiro. Hoje, sua rotina é corrida: “fico pintando quase o dia todo e, se quiser, a noite e no final de semana também”. A maioria de seus clientes são moradores dos condomínios próximos ao Jardim Nicéia, já que, no bairro, “são mais os amigos que chamam pela consideração”.

Segundo o pintor, um dos desafios na sua área é a concorrência. Para se destacar, o tempo e o preço importam. “Você tem que fazer rápido para conseguir a maior parte de cliente e tem que fazer um valor mais em conta, tem que abaixar alguma coisinha”, recomenda Adilson.

Adilson em frente a casa que pintou no Nicéia. Ao lado, seu cachorro chamado Favela. Créditos: Bianca Penteado/Voz do Nicéia

A divulgação de seu trabalho vale muito, seja por indicação ou nas redes sociais. “A internet ajuda bastante, e saindo aí [no Voz do Nicéia] então”, brinca o pintor para a namorada Eliana Soares de Brito, que responde: “Vamos ter que pagar ajudante”. Isso porque ela também tem seu próprio negócio no bairro: é vendedora de bolo e dona de um lava car.

Eliana também enxerga a parte boa de trabalhar para si mesma: “quem manda aqui agora sou eu, já fui muito mandada na vida”. Mas reconhece as responsabilidades que empreender exige. “Principalmente na parte de higiene com a comida. E ele como pintor também, ele é bem caprichoso, e eu sempre elogio porque a gente gosta de elogio e acaba querendo fazer melhor. Elogio é muito bom”, defende a moradora.

A empreendedora está há um ano no bairro. Ao lado da neta mais nova, Emily, ela vende bolos caseiros e bolos de pote. Eliana segue as receitas que aprendeu na internet e Emily fica responsável por finalizar as encomendas e fazer postagens nas redes sociais.

A maior parte da clientela fica no bairro, e conquistar sua freguesia é um desafio. “É difícil, mas quando o pessoal gosta, solta o freio e vai embora. Aqui vai acontecer, eu creio que sim. Estão gostando dos bolos, estão elogiando”, diz Eliana, com esperança.
Segundo ela, em sua cozinha “tudo que eu faço é com carinho e com amor”. Ela destaca que trabalhar com o que gosta faz a diferença e seus bolos dão retorno por meio das vendas. “Dinheiro é bom e quanto mais melhor, mas eu viso fazer as coisas bem feitas mesmo que eu pague mais caro nos ingredientes, porque você tem mais elogios e qualidade”, explica.

Eliana segue fielmente às receitas de bolo que aprende na internet. Créditos: Bianca Penteado/Voz do Nicéia

Com o aumento dos preços dos alimentos para fazer os bolos, Eliana conta que é preciso buscar os produtos de qualidade em ofertas e comprar em mais de um lugar.  Para a moradora do Jardim Nicéia, o objetivo está posto: “a gente não quer ser rico, a gente quer ser bem de vida trabalhando”. O preço dos bolos é de R$20,00 para o grande e R$15,00 para o pequeno. O queridinho bolo de pote custa R$6,00, ou dois por R$10,00 reais.

Os empreendedores no bairro aprenderam na prática o valor da divulgação boca a boca e do reconhecimento do próprio trabalho. Para Eliana, é preciso valorizar o próprio serviço: “Se você acha que vale mais e a pessoa quer pagar menos, não aceita. Mas se dá pra cobrar menos, cobra. Porque você não está perdendo, está ganhando freguesia. Vão gostar do seu serviço e passar pra frente”.

Eliana trabalha com encomendas e já está marcando presença em eventos na cidade de Bauru. Se acontece de não vender todas as unidades, ela garante: “Não é prejuízo porque se dá pra comer a gente come, a gente dá pro vizinho, de vez em quando eu faço caridade também. Hoje em dia a gente tem que viver de caridade, onde a gente mora principalmente”. 

O Voz perguntou qual sabor de bolo é o preferido da clientela e Adilson garante que o de leite ninho é a especialidade. A cozinheira diz que “o bolo de leite ninho sai bem, faço de paçoca, de brigadeiro, de cenoura. O que sai mais é o de chocolate e o de ninho, e tem choconinho também”.

No número 161 da rua 5, Eliana também mantém um lava car, com a ajuda de Gabriel, o namorado da neta mais velha, Yasmin. Na garagem de casa, eles fazem a lavagem de carros e de tapetes. O preço médio da lavagem completa do carro é de trinta reais. Tanto as encomendas de bolo quanto o Lava Car podem ser pagos em dinheiro ou PIX.

Os equipamentos para lavagem dos carros permitem oferecer também a lavagem de tapetes. Créditos: Bianca Penteado/Voz do Nicéia

Assim como em outras edições do Empreendedores do Bairro, os problemas de infraestrutura do Jardim Nicéia impactam no serviço dos trabalhadores. “O problema aqui é a terra. A gente precisa que a Prefeitura venha para asfaltar”, conta Eliana, que está em uma das ruas sem pavimento do bairro.

Adilson fez questão de divulgar o trabalho da namorada e também de sua mãe, de quem tem ajuda nas pinturas. Sebastiana Aparecida Felipe está no bairro há cerca de quinze anos. “Ela pinta, ela borda, ela crocheta, ela faz tudo”, descreve o filho orgulhoso. “Quando eu não estou trabalhando na pintura, eu faço tapete”, conta Sebastiana, que atende aos clientes do Nicéia. Mas não só, a moradora vende crochês, bordados, e correntinhas de miçanga.

Sebastiana mostra um de seus crochês, técnica que aprendeu aos 15 anos. Créditos: Bianca Penteado/Voz do Nicéia

Pintura, Lava Car, bolos, bordados e crochês de Adilson, Eliana e Sebastiana

Endereço: Rua 5, número 161 (portão cinza), Jardim Nicéia. Bauru, SP.

Telefone Adilson: 14 99730 9068

Telefone Eliana: 11 99450 4316

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