Júlio César compartilha a trajetória, os desafios e os sonhos com a arte marcial e o que ela pode promover no bairro
Por Flávia Gracinda e Vinícios Cotrim
Alunos durante a aula de jiu-jitsu (Foto: Flávia Gracinda/Vozes do Nicéia)
O jiu-jitsu tem como base o respeito, a humildade, a perseverança e o auto aperfeiçoamento e essa filosofia tem sido propagada por meio das aulas ministradas por voluntários no Jardim Nicéia.
Atualmente, as aulas estão sendo promovidas pelo sensei Júlio César e o primo Reginaldo na igreja católica do bairro de segunda e sexta das 19h às 20h. “Faz tempo que eu tinha essa vontade de ter o projeto, só que não tinha espaço. Tinha a quadra, mas na quadra não é um lugar apropriado, né? Dispersa as crianças, em tempo de chuva, não tem condições de dar aula e sempre tem alguém usando”, compartilha Júlio.
O professor teve acesso a esse esporte por meio do convite de um amigo e, com o tempo, o que era voltado para o lazer, se tornou profissão. “Eu ajudo o professor a dar aula na outra academia, onde sou formado. Lá eu dou aula para as crianças também, e a mesma linhagem de aprendizado de lá eu tento trazer para cá”.
A vida de Júlio foi mudada por meio do jiu-jitsu e a vontade de trazer essa mesma mudança para a vida das pessoas foi o que o incentivou a dar aulas no bairro. “O jiu-jitsu é o esporte que mais está crescendo no mundo, (os alunos) podem sair do país, da cidade e até mesmo se eles ficarem aqui, dar continuidade no meu projeto”.
Boa parte dos participantes conheceram o projeto por meio dos próprios moradores, que compartilharam a informação entre eles. Atualmente são recebidos alunos com a idade entre 9 a 12 anos, hoje o aluno mais velho da escola é o Donizete, que tem 15 anos.
Apesar de já contar com um espaço para a prática, o salão da igreja católica não é visto como um local apropriado. Antes das aulas acontecerem, é necessário um preparo do lugar, como a retirada das cadeiras e mesas, que permanecem no espaço. O centro comunitário, tão esperado pelos moradores, é tratado como o lugar ideal para as aulas.
“A fila de espera é gigante. Tem muita gente querendo entrar, só que eu não consigo também. Como dá aula para 40 crianças? Assim eles não entendem, eu não consigo passar minha aula, fica uma coisa meio confusa”, disse o sensei.
Assim como em outras artes marciais, como o judô e o boxe, por exemplo, o jiu-jitsu possui muitas virtudes além da parte esportiva e física. “Pode contribuir mentalmente também. Porque o esporte ajuda a te dar equilíbrio, ter responsabilidade. Tem que vir com a unha cortada, pé limpo. Tem que ter respeito.. Tem a postura, tem autoconfiança. Eu cobro eles de olhar no olho, conversar olhando no olho, de poder chegar nos lugares, não se achar inferior, ser igual a todos ali. Ajuda tudo isso aí.”
