Como o jornalismo local contribui para democratizar o acesso à informação

Veículos mostram como a informação pode transformar a realidade de quem vive longe da grande mídia


Por Beatriz Custódio, Denalyn Oliveira, Letícia Rosa e Vitória Mendes

Foto por brotiN biswaS em Pexels.com

Nos dias de hoje, ainda existem locais onde a cobertura jornalística é quase nula ou completamente inexistente — os chamados “desertos de notícias”. Segundo o censo realizado pelo Atlas da Notícia, pelo menos metade das cidades brasileiras está localizada em regiões que se encaixam nessa descrição. Em cidades grandes, os desertos de notícias não são um problema. Contudo, nas cidades pequenas e interioranas, a situação é desafiadora.

Em locais onde as pessoas não têm acesso à informação correspondente à sua realidade, a qualidade de vida é diretamente afetada. Com a restrição da informação, o público deixa de receber notícias que dizem respeito a setores básicos para a vida em sociedade, como saúde, política, educação e cultura.

Diante desse cenário, o jornalismo local torna-se cada vez mais importante para a disseminação e cobertura de acontecimentos da comunidade. Por meio desses veículos, a população passa a ter acesso integral a informações que afetam suas vidas, tanto de forma positiva quanto negativa. Esse modelo de cobertura jornalística é essencial para a democratização do acesso à informação — direito garantido pelo Estado.

Apesar de Bauru, em sua totalidade, não ser considerada um deserto de notícias, há bairros onde a presença do jornalismo, seja ele tradicional ou independente, é escassa ou inexistente. Alexandre Godoi de Souza, morador da Rua 5 do Jardim Nicéia, compartilha sua visão sobre a atuação do Vozes Nicéia, considerado um jornal local:
“No meu modo de ver, ele alavanca bastante coisa para a gente. Ele aborda a gente nos assuntos interessantes e acaba nos ajudando aqui no bairro.”

Por ser um dos únicos veículos jornalísticos que dialogam com o bairro e compartilham informações que aumentam a visibilidade sobre determinadas demandas, Alexandre enxerga o jornal como essencial para a comunidade: “É um mecanismo que ajuda muita gente, leva para frente as coisas que a gente precisa no bairro, as coisas que são necessárias. Ele ajuda bastante porque vai para a internet, para vários lugares, e a internet abraça todo o conteúdo”, completa o morador.

Declarações como essa refletem o pensamento e a realidade de muitas pessoas ao redor do mundo, que dependem da cobertura feita por veículos menores para suprir suas necessidades informativas. Em Bauru, existem alguns veículos independentes que atuam localmente, como o Jornal Dois, que oferece reportagens aprofundadas e críticas sobre temas como política, direitos humanos, cultura e movimentos sociais na cidade.

“Agência Mural”, “Periferia em Movimento” e “Desenrola e Não Me Enrola” são outros exemplos de jornais comunitários. Eles atuam em periferias ao redor da cidade de São Paulo. Nessas áreas, a desigualdade social se reflete, inclusive, na distribuição de informação. Mesmo que a cidade não seja um deserto de notícias, a informação não é distribuída da mesma forma nos grandes centros e nas regiões periféricas.

Por meio da transmissão jornalística ao público, torna-se possível o exercício da cidadania e o fortalecimento da democracia, que se expande juntamente com a informação. Além disso, o jornalismo local contribui para a expansão cultural e social de determinados grupos excluídos ou marginalizados pela sociedade, que muitas vezes não são representados pela mídia tradicional.

As falas de Alexandre e os dados apresentados são um alerta para uma sociedade cada vez mais globalizada e distante, que prioriza os meios de informação tradicionais em detrimento do acesso à informação de qualidade em pequenas comunidades. Também evidenciam a necessidade de mais veículos locais para garantir uma cobertura jornalística profissional nessas regiões.

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