População depende de unidades a mais de 2 km; plano municipal prevê unidade itinerante, mas promessa ainda não saiu do papel
Letícia Cerqueira, Bianca Costa, Brida Correia e Mariana Capibaribe

Apesar de o município de Bauru ter investido mais de R$ 300 milhões em Saúde entre 2022 e 2024 segundo a Secretaria de Saúde de São Paulo, bairros como o Jardim Nicéia seguem invisíveis no planejamento prático do sistema público. Sem nenhum tipo de atendimento médico, os moradores precisam se deslocar até outros bairros para ter acesso à saúde básica. As opções mais frequentes são a UBS do Jardim Europa, a 2,7 km de distância e a UPA do Geisel, a cerca de 3,5 km.
Todos os trajetos são de difícil acesso, já que exigem baldeações no transporte público, o que torna o tempo de deslocamento superior a 40 minutos. Além disso, o trajeto a pé também não é fácil, já que é preciso atravessar a Rodovia Marechal Rondon ou a Avenida Nações Unidas.
Esse cenário é reflexo de um abandono que se estende há pelo menos quatro décadas. Segundo relatos de moradores, nos anos 80, o bairro contava com uma unidade médica improvisada: uma cabana de madeira atrás da creche, onde estudantes de medicina e odontologia da antiga USC (hoje, Unisagrado) ofereciam atendimento básico à população. Com a destruição da estrutura, o serviço foi interrompido e nunca mais retomado.
Atualmente, a falta de unidade de saúde no bairro impacta diretamente a qualidade de vida dos moradores. Osvaldo da Silva, rua 5, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e precisou amputar uma das pernas e, desde então, enfrenta grandes dificuldades de locomoção. Ainda assim, precisa se deslocar com frequência até a UBS do Jardim Europa, onde faz acompanhamento médico. Nesse caso, o trajeto de 2,7 km só é possível com carro — que ele paga do próprio bolso.
“De a pé não tem jeito. Moro longe”, relata. Sem transporte público direto e com mobilidade reduzida, Osvaldo também vai de carro buscar os medicamentos na Unidade de Assistência Farmacêutica (farmácia municipal) do Geisel/ Redentor. “Pago o carro pra ir até lá. Ônibus até tem, mas não dá pra mim.”
As dificuldades não se restringem ao transporte. Osvaldo também encontra obstáculos para conseguir agendar as consultas por conta do excesso de procura. Isso faz com que, em algumas situações, ele desista de procurar atendimento médico.
A distância e a falta de estrutura também afetam outras famílias do bairro. Adriana da Silva, 43 anos, tem dois filhos pequenos e enfrenta os mesmos problemas. “Se tivesse um postinho aqui, seria outra coisa, seria uma bênção. Pra emergência, então, nem se fala”, diz.
Ela explica que, embora sua saúde esteja em boas condições, precisa levar os filhos ao médico com frequência — e a logística não é simples. “De a pé é uma boa distância”, afirma. Na maioria das vezes, recorre ao transporte pago para conseguir atendimento.
Jair, 74 anos, depende da ajuda da família para se locomover porque não tem carro e não tem disposição física para fazer baldeação. “Às vezes meu filho me leva”, diz. Usuário diário de medicamentos controlados, ele os retira gratuitamente na farmácia, mas o acompanhamento médico nem sempre acontece como deveria.
“Eu normalmente insisto em marcar porque tenho problema de saúde, não tem pra onde correr, eu faço hemodiálise”, desabafa. Para ele, as promessas de melhorias no atendimento local não se concretizam. “Eles prometem, prometem, e não fazem nada. Tá tudo do mesmo jeito.”
A realidade enfrentada por esses moradores não é isolada. De acordo com o Portal da Transparência de Bauru, atualmente há 50 pessoas na fila de espera por atendimento na rede pública de saúde. Em 2024, o setor foi líder de reclamações na ouvidoria municipal.
Diante desse cenário, o Plano Municipal de Saúde de 2022 a 2025 prevê a criação de uma unidade de saúde itinerante para atender bairros como o Jardim Nicéia e o acampamento Canaã. A proposta é vista com esperança pela comunidade, mas, até agora, segue sem sair do papel. A esperança é a nova construção pública no bairro: o Centro Comunitário.
Centro Comunitário
Desde o início do processo de licitação para a construção do Centro Comunitário no Jardim Nicéia, em agosto de 2024, a expectativa é de que o espaço tivesse capacidade e acessibilidade para realização de atendimentos médicos. Muitos moradores retornam semanalmente às consultas e possuem comorbidades que dificultam a sua mobilidade, como é o caso de Jair. Assim, a construção de uma unidade de saúde, no bairro, traria maior qualidade de vida para a população local.
Maria Aparecida, rua 7, comenta que antes da “Creche/Berçário Ernesto Quaggio” havia um local onde aconteciam atendimentos médicos. “Tinha médico da USC, tinha dentista, que vinha atender aqui, eles encaminhavam e faziam tudo, era bom. […] Se tivesse um postinho aqui, seria bom.”
Porém, em entrevista realizada com uma enfermeira que preferiu não ser identificada, o Centro Comunitário não teria infraestrutura para tais serviços. Ela comenta que “para um atendimento básico, que seria aferir pressão [arterial], algumas campanhas, dá pra fazer, agora algo mais complexo não dá”.
O projeto do Centro Comunitário foi realizado por Tânia Maceri, engenheira civil que trabalhou na prefeitura de Bauru e englobava a área do Jardim Nicéia, a professora Silvana Aparecida Alves, do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da UNESP e universitários da própria faculdade.
Tânia nos conta que o espaço foi projetado para projetos sociais e que pudesse conectar a comunidade. “Eles tinham muita necessidade de um local onde eles pudessem se reunir e exercer toda a cidadania, tudo o que fosse necessário. Então era um pedido bastante antigo”, diz Tânia.
Apesar de não ser da área de Tânia, ela também conta sobre o que o bairro precisa para ter uma unidade de saúde. “A gente sabe que existem vários regramentos, na questão de quantidade de pessoas para conseguir instalar um posto de saúde, uma UBS, existe todo um contexto de exigência.
De acordo com o Ministério da Saúde, a recomendação mínima para a Equipe de Saúde da Família (eSF) realizar a cobertura de um território é de 2.000 a 3.500 pessoas, que garante os princípios e diretrizes da Atenção Primária à Saúde (APS).
A redação do Vozes do Nicéia tentou contato com a Prefeitura de Bauru para saber sobre a possibilidade de uma unidade médica no bairro, porém, não tivemos retorno.
Ainda que não seja possível a implementação de um posto de saúde na região, Tânia também informa que esses problemas não são apenas de um bairro. “Isso não é uma coisa que acontece só no Nicéia. A gente tem vários outros bairros com uma dificuldade imensa na questão de mobilidade, porque não há facilidade”, ela diz.
Uma política pública diferente, que visasse descomplicar a locomoção, talvez seria a solução. “O acesso é bastante complexo e difícil para as pessoas. Qual seria a solução e a saída a ser encontrada junto com poder público para minimizar esses problemas todos que o bairro normalmente enfrenta?”, reflete Tânia.
Enquanto o Nicéia não possui nenhuma unidade de saúde, os moradores precisam se deslocar até os dois locais mais próximos: o UPA Geisel e a UBS do Jardim Europa.
UPA Geisel
Localizada na rua Antônio Manoel Costa, a Unidade de Pronto Atendimento Geisel/ Redentor é uma das opções mais procuradas pelos moradores do Jardim Nicéia por conta da proximidade de 3,5 km.

O tempo de espera para atendimento costuma demorar por conta da sobrecarga de pessoas. Em média, uma pessoa com sintomas gripais leva de 4 a 6 horas para ser atendida, segundo os usuários da unidade. “A triagem é rapidinho, o que mais demora é para o médico chamar. Depois é outro chá de cadeira para tomar a medicação, seja o que for soro ou comprimidinho”, relata Teresa que esperava há mais de 3 horas.
Maria Helena procurou atendimento médico para ela e para seus filhos, um deles estava com o ombro deslocado e precisaria ir até o Hospital Estadual. Entretanto, é necessário um encaminhamento do UPA para conseguir médico especialista (no caso, ortopedista) na unidade hospitalar.
O pedido só seria liberado após Maria também ser atendida. Ela e seus filhos precisaram aguardar por mais de 4 horas. “Cheguei às 10 da manhã aqui, tenho três crianças e até agora [14:00] não fui atendida ainda. Meu filho deslocou o ombro, tem que ir lá no Estadual, mas não querem me dar o encaminhamento até eu ser atendida”, diz.

Além disso, os pacientes também reclamam da demora para sair o resultado dos exames. “Demora mais de duas horas para sair o resultado do exame de sangue, eu estou esperando desde às oito da manhã”, desabafa Teresa.
Atualmente, a unidade de saúde tem estrutura para receber 350 pessoas por dia. E conta com a seguinte escala durante a semana:
Manhã (7h às 13h): 3 generalistas e 3 pediatras
Tarde (13h às 19h): 2 generalistas e 3 pediatras
Noite (a partir de 19h): 1 generalista e 1 pediatra até 1h e 2 generalistas e 2 pediatras até 7h.
Dados: Plantões Médicos
Unidade Básica de Saúde Europa
Localizada na R. Hermes Camargo Baptista, a Unidade Básica de Saúde Jardim Europa é a primeira opção procurada para atendimentos com médicos generalistas. Apesar de ser destacado pela maioria dos moradores pelo bom atendimento dos funcionários e médicos, ainda têm como maior dificuldade sua falta de acessibilidade.
A 3 km, cerca de 40 minutos de caminhada do Jardim Nicéia à Unidade de Saúde, com horário de funcionamento de segunda a sexta-feira das 7h às 19h, a UBS oferece serviços e atendimentos para cerca de uma região de 20 mil pessoas, segundo Andréia Camacho, Chefe da UBS do Jardim Europa, que abrange também a área do Jardim Nicéia, segundo o site da prefeitura do município.
Andréia, que já trabalhou como enfermeira da UBS Bela Vista, conta como funciona a unidade e sobre as especialidades tratadas. Os pacientes chegam na unidade, solicitam uma consulta médica e na data marcada retornam. Daí, são pedidos encaminhamentos de especialidades durante a consulta.

O foco das UBSs é a prevenção de possíveis problemas de saúde futuros. “Se a gente olhar toda a portaria da atenção primária, teria que trabalhar mais com a prevenção. Então, assim, evitar a agudização de [uma] doença crônica. Por exemplo, um paciente hipertenso. A atenção primária seria pra fazer o quê? A gente conseguir fazer atividades na comunidade pra prevenir a hipertensão”, explica Andréia.
Segundo Andréia, com a utilização correta da UBS, muitos pacientes são beneficiados. Exemplifica um caso de uma antiga paciente: “A gente teve uma paciente que falou. “Ah, eu tô com um excesso de peso. Eu tenho muita dor no joelho. Muita dor na coluna. Eu já passei no médico, não resolveu. Eu quero marcar uma consulta com um nutricionista”.
“Ela não precisa de encaminhamento pra marcar consulta com um nutricionista. É aberto à população. Aí, a nutricionista fez o atendimento. Solicitou alguns exames que o médico não tinha solicitado. Por conta do perfil dela e baseado nos fatores de risco e no histórico dela. Avaliou esses exames e ajustou a alimentação dela. Ela perdeu 30 quilos em um ano e não tem mais dor no joelho”, completa Andréia, ao indicar o quão benéfico foi o atendimento do nutricionista, evitando um possível problema ortopédico no futuro.

Com mais UBSs abrangendo mais regiões, mais prevenções seriam realizadas, que desencadeiamem menos demandas nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA). “No Brasil, a gente tem uma atenção primária prejudicada. Não só em Bauru, isso é a nível nacional. Porque tem muito Pronto Atendimento e a UBS a gente não tem, que comporta toda a população. Precisaria ter mais investimentos na atenção primária pra gente poder desafogar, inclusive, as UPAs”, esclarece Andréia.
Sobre os moradores do Jardim Nicéia, não temos dados consistentes sobre quantos são pacientes da UBS. Isso porque não há uma cobertura profissional já que não faz parte do sistema da UBS possuir agentes comunitários para realizarem uma pesquisa demográfica da região.
Quais as consequências do difícil acesso à saúde?
A unidade de saúde mais próxima ao bairro é a UBS do Jardim Europa e também é o postinho que atende as famílias do Nicéia. Entretanto, os locais estão a cerca de 3 km de distância e não há uma linha de ônibus que faça esse percurso diretamente. É necessário fazer baldeação e demora de 40 a 50 minutos.
Uma opção usada pelos moradores é fazer esse percurso a pé que totaliza 40 minutos. Como os bairros (Europa e Nicéia) estão separados pela Rodovia Marechal Rondon, no caminho, há uma passarela. Mais adiante, tem um terreno baldio que é uma zona perigosa segundo Gleika Moraes, rua 3. “Tem uma área ali que é bem de mato, que é perigoso, já teve vários casos de abuso [sexual]. Então, eu não me arrisco, tenho medo”, diz.
Assim, a forma mais prática e segura é ir de carro que nem sempre é possível. Muitos moradores recorrem a motoristas de aplicativo ou particular que é um custo a mais. “Uber geralmente não aceita que vá na frente e ele não consegue ir atrás por conta do problema dele. Ele [pai dela] paga uns 30 reais para um rapaz aqui do bairro levar ele”, conta a Lais, rua 5, filha de Osvaldo – senhor que teve um AVC.
As dificuldades em acessar as unidades de saúde, faz com que algumas pessoas evitem ou desistam de procurar atendimento médico. Rozana Paiva, médica especialista em Saúde Pública, explica que isso é prejudicial para a comunidade já que pode agravar problemas de saúde pré-existentes.
“A outra questão é que aumenta as doenças não tratadas. Sejam agudas, sejam crônicas. Principalmente, as crônicas, como diabetes e hipertensão, que, às vezes, os sintomas são poucos. E aí, a pessoa demora a ser diagnosticada e, às vezes, é diagnosticada frente a uma complicação que é sempre um risco importante para vida porque a gente acaba tendo maior mortalidade por condições potencialmente evitáveis”, explica Rozana.
Também existe o sobrecarregamento das UPAs por conta da falta de acompanhamento médico que poderia prevenir um quadro severo. Como uma possível solução, Rozana fala sobre um veículo para levar os moradores do Nicéia até as unidades de saúde.
“Seria importante ter pelo menos um transporte comunitário que ele possa estar levando as pessoas até a unidade mais próxima. Eu sei que isso é super difícil de conseguir, mas eu acho que alguma coisa a gente tem que fazer, isso tem que mudar”, finaliza.
UBS, USF ou UPA: quando e onde ir?
Em meio aos desafios diários do sistema público de saúde, saber onde buscar atendimento não é apenas uma decisão prática, mas sim uma necessidade. A falta de informação sobre o papel de cada unidade de saúde ainda pesa: sobrecarrega serviços de urgência e dificulta o acesso de quem realmente precisa.

UBS e USF: o cuidado começa por aqui
A Unidade Básica de Saúde (UBS) e a Unidade de Saúde da Família (USF) são a porta de entrada do sistema público de saúde. São nelas que a população encontra atendimento contínuo e preventivo, com foco no dia a dia das pessoas.
A UBS costuma atender um número maior de pessoas, geralmente de um bairro inteiro, e conta com médicos especialistas, como clínico geral, pediatra e ginecologista. É o local ideal para consultas de rotina, acompanhamento de doenças crônicas, vacinação, pré-natal e outros cuidados que não exigem atendimento de urgência.
Já a USF tem um foco mais voltado para o vínculo com a comunidade. Ela atende um grupo menor de famílias, em uma área definida, e é formada por uma equipe que inclui médico generalista, enfermeiros, técnicos e agentes comunitários de saúde. O objetivo é acompanhar de perto a saúde de cada pessoa, promovendo a prevenção e o cuidado contínuo, muitas vezes dentro da própria realidade do bairro.
Segundo enfermeira de uma das unidades de saúde, que preferiu não ser identificada: “Os pacientes passam na unidade básica, onde são atendidos por um médico generalista da família, que atende desde bebês até gestantes ou idosos. Aí, o médico vai investigar e pedir alguns exames. Depois disso, encaminha o paciente para um hospital ou pronto socorro, se achar pertinente.”
UPA: urgências
A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) está ali para situações que não podem esperar. Dores fortes, quedas, fraturas, falta de ar, febre alta, pressão descompensada, suspeitas de infarto ou AVC: nesses casos, a UPA é o caminho certo. Ela funciona 24 horas, todos os dias da semana, para estabilizar o paciente e, se necessário, encaminhá-lo para o Pronto Socorro.
Mas é preciso lembrar: a UPA não é lugar para resolver questões simples ou de rotina.
Cada escolha importa
“Aqui na UBS, não podem vir moradores de todos os bairros, porque cada região tem sua própria unidade. Se não sobrecarrega uma e a outra fica ociosa.” Completa a enfermeira.
Buscar a unidade certa, na hora certa, é um ato de responsabilidade e empatia. No momento em você cuida de sua saúde de forma preventiva na UBS ou USF, evita que problemas pequenos se tornem grandes. Quando deixa a UPA para os casos realmente urgentes, ajuda a salvar vidas. A informação é uma das maiores aliadas da saúde pública e a escolha consciente protege. Saber onde ir, em qual momento buscar ajuda e como usar o SUS da forma correta é o primeiro passo para um sistema de saúde mais eficiente, humano e menos sobrecarregado.
Assistência farmacêutica
A Assistência Farmacêutica é um conjunto de ações que visa garantir a saúde pública e acesso a medicamentos. Em Bauru, atualmente, é a portaria 103/2024 que regulariza o setor.
Segundo seu primeiro artigo, a portaria tem como objetivo “estabelecer as diretrizes necessárias para a adoção e acompanhamento de critérios dos procedimentos de dispensação de medicamentos na rede municipal de saúde de Bauru, a fim de garantir maior segurança, uso racional e efetividade no tratamento do paciente, além da eficácia dos meios de controle”.
Ronaldo Pereira, supervisor da Unidade de Assistência Farmacêutica (UAF) Geisel/ Redentor, diz que a norma impõe que o atendimento se restringe aos munícipes de Bauru. “Precisa ser de Bauru por uma questão de verba. O repasse do incentivo básico da assistência farmacêutica é transferido do Governo Federal com coparticipação do Estado e Município por habitantes/ ano. Por isso que o município de Bauru só atende o município de Bauru”, explica.

Outra determinação importante é que não existe distritalização da assistência, ou seja, o bauruense não precisa ficar limitado à região onde mora. “Ninguém é obrigado a ficar no seu bairro para pegar medicamento”, afirma Ronaldo.
A UAF Geisel/ Redentor é o local mais procurado pelos moradores do Jardim Nicéia e está há 4,5 km de distância do bairro. Dona Maria Aparecida, rua 7, vai todos os meses buscar seus remédios caminhando. “Dá uns 40 minutos. Tem dias que eu chego antes de abrir. Não dá para mandar os outros irem buscar, é você mesmo que tem que ir”, conta.

De fato, existe uma burocratização para acessar os medicamentos, por isso, o Vozes do Nicéia fez um passo a passo:
Como pegar o medicamento?
1- A receita precisa seguir a Denominação Comum Brasileira (DCB), ou seja, o medicamento precisa ser indicado com o seu nome genérico. É importante ressaltar que mesmo o sistema também aceita prescrição de consultas particulares desde que siga a DCB e com data inferior a 30 dias.
2- Documento com foto, CPF e cartão do SUS. Caso uma pessoa for retirar o medicamento em nome de outra, é necessário uma procuração reconhecida em cartório e os documentos de ambos.
3- Certificar-se de que o remédio está disponível. Confira a lista de medicamentos.
Segundo o supervisor, a unidade atende cerca de 342 pessoas por dia e o tempo de atendimento varia entre uma hora e meia e duas horas. Isso porque a equipe é reduzida para a quantidade de usuários do sistema. “A equipe é formada por 5 técnicos de farmácia e 2 farmacêuticos. Mas o pessoal tem férias e licenças médicas. Então nem sempre os quatro guichês estão funcionando”, relata Pereira.
Bauru possui outras duas unidades de assistência farmacêutica, localizadas no Centro e no Jardim Bela Vista. Mas há outros locais onde é possível retirar medicamentos. Confira a lista e endereços no link.
Farmácia popular
O programa do Governo Federal em parceria com as drogarias da rede particular. Segundo o Ministério da Saúde, a Farmácia Popular tem como objetivo complementar a disponibilização dos medicamentos de forma gratuíta.
Os remédios ofertados são para atender doenças como asma, hipertensão, diabetes e outros. A lista completa pode ser acessada através do link. As regras são as mesmas para a Assistência Farmacêutica.
Nas farmácias que atendem ao programa, também há distribuição de absorventes para pessoas entre 10 e 49 que estejam inscritas no Cadastro Único. A ação faz parte do Programa Dignidade Menstrual que existe desde 2024 e garante absorvente para mais de 24 milhões de indivíduos.
Como funcionam as vacinas?
Segundo a médica infectologista e professora da PUC-SP, Rosana Paiva, a vacina funciona como um “treinamento” do organismo.
As vacinas são ferramentas fundamentais para proteger o corpo contra doenças e evitar surtos em larga escala. Em Bauru, a imunização está disponível em diversas unidades de saúde, com horários estendidos em alguns pontos para garantir o acesso da população.
“Vacinas são preparações que treinam o sistema imunológico para reconhecer e combater bactérias e vírus sem causar a doença. Ameniza a doença”, explica a especialista.
Essa preparação do corpo ocorre por meio da produção de anticorpos, que são proteínas capazes de reconhecer agentes invasores e ajudam a neutralizá-los antes que provoquem infecções graves. O sistema imunológico aprende a reagir rapidamente, que cria criando uma espécie de memória para proteger o organismo em futuras exposições.
Além disso, a imunização também tem um papel coletivo. Quanto mais pessoas imunizadas, menor a circulação de vírus e bactérias na comunidade, o que ajuda a proteger especialmente os grupos mais vulneráveis, como idosos, bebês e pessoas imunossuprimidas.
“Doenças como a varíola diminuíram muito por conta das vacinas. É importante tomar vacina, uma maneira segura de proteger nosso organismo”, reforça a doutora.
Onde se vacinar em Bauru
A rede pública de saúde de Bauru oferece vacinação em várias Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e outros pontos de atendimento. Veja como funciona:
UBS Bela Vista, Geisel, e Europa: atendimento de segunda à sexta-feira, das 7h às 17h.
Além disso, duas unidades estão com horários ampliados para a vacinação contra a gripe (Influenza):
UBS Bela Vista e UBS Geisel aplicam a vacina das 7h30 às 22h durante a semana e também aos sábados, das 8h às 17h. Para se vacinar, é necessário levar um documento oficial com foto e, se possível, o cartão do SUS. Em campanhas específicas, como a da Influenza, pode ser solicitado um comprovante de residência.
Saúde mental: como buscar apoio e terapia pelo CAPS em Bauru
“A saúde mental é tão importante quanto a saúde física”, afirma a psicóloga Amanda Corrêa ao explicar que cuidar do equilíbrio emocional é fundamental para o bem-estar geral. Em Bauru, a rede pública oferece atendimento especializado para quem enfrenta dificuldades emocionais, transtornos mentais ou busca apoio psicológico por meio do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
O CAPS é uma unidade de saúde dedicada a oferecer acompanhamento terapêutico, psicossocial e psiquiátrico para pessoas com transtornos mentais severos e persistentes, além de usuários de álcool e outras drogas. O serviço busca promover a reintegração social e a autonomia do paciente, por meio de terapias individuais, grupos de apoio e atividades comunitárias.
Para conseguir atendimento no CAPS, o primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a Secretaria Municipal de Saúde, onde será feita uma avaliação inicial. Caso o profissional identifique a necessidade, o paciente é encaminhado ao CAPS, onde receberá um plano de cuidado personalizado, com sessões de terapia, acompanhamento médico e apoio psicossocial.
O acesso ao CAPS é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e não exige encaminhamento judicial. O serviço é fundamental para quem busca suporte diante de ansiedade, depressão, transtornos psiquiátricos ou problemas relacionados ao uso de substâncias. Além disso, o CAPS trabalha para desmistificar o preconceito e promover o respeito à diversidade e à dignidade das pessoas atendidas.
