Cidade já soma 1.165 solicitações até agosto, o que mostra o aumento dos casos de violência contra a mulher
Por Alex Iarossi, Denalyn Oliveira, Giovana Keiko e Isabela Marquesi
A violência contra a mulher vai além das agressões físicas, envolve também abuso sexual, psicológico, moral e patrimonial. Segundo o Anuário da Violência de 2024, em 30% dos casos de violência contra a mulher, há mais de um tipo de agressão. Em Bauru, 53,41% das mulheres vítimas de violência têm entre 18 e 39 anos de acordo com dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação (LAI).
Adriana Rodrigues, professora do Instituto Federal, conta que foi vítima de violência doméstica em seu antigo relacionamento. O agressor não demonstrava ser violento durante o namoro e os sinais começaram no dia do casamento. Além da agressão física, ela também passou por violência psicológica e patrimonial – que ocorre quando a vítima é impedida de ter acesso aos seus bens.
A professora foi exposta a situações que afetaram não só a sua vida pessoal, mas também a profissional. Na época, ela era dona de uma escola de idiomas e relata o que viveu neste período: “devido ao desgaste emocional, eu adquiri anorexia, depressão e cheguei a pesar 46 quilos. Eu não tinha condições físicas, nem psicológicas, de manter o meu negócio. Passei um tempo com bastante dificuldade financeira, ele chegou a me privar de comer na minha própria casa”.
Denúncias de casos como este aumentaram ao longo dos anos em Bauru. De janeiro até agosto de 2025, já foram registrados 5.229 boletins de ocorrência por violência doméstica. Além disso, foram solicitadas 1.165 medidas protetivas até o final de agosto, número que ultrapassa as 1.137 solicitações do ano inteiro de 2024, apesar do número alarmante, 97% dos pedidos são aprovados, segundo a LAI.

Gráfico: Giovana Keiko/Vozes do Nicéia
Para responder às demandas locais, foram criadas duas Varas em Bauru: a de Violência Doméstica e a Familiar contra a Mulher. Também foi inaugurado, em abril de 2025, o Núcleo de Apoio a Vítimas de Violência (NAVV), um órgão vinculado ao Ministério Público, que tem como objetivo fornecer acompanhamento jurídico e apoio psicológico às vítimas de violência doméstica.
“Muitas vezes a vítima chega muito fragilizada, e a ideia é de que ela não precisa só de uma orientação jurídica, mas também de um acolhimento”, explica Carlos Eduardo Imaizumi, coordenador do NAVV.
O NAVV está presente em mais 12 cidades do estado de São Paulo e atende vítimas de violência. Os casos mais recorrentes são os que acontecem em contextos domésticos, afirma o Núcleo.
A estagiária do NAVV e estudante de psicologia, Evelyn Sampaio, explica como funcionam os atendimentos: “como estamos trabalhando com mulheres em situação de violência, a temática central, em geral, é a violência vivida. Então, avaliamos essa demanda e compreendemos a gravidade dela, e nessas sessões focalizamos essa temática”.
No caso de Adriana, o que lhe deu forças para dar um fim ao relacionamento abusivo foi o acompanhamento com a psicóloga “só consegui desfazer o meu casamento porque eu fui à terapia. Antes disso eu não tinha forças para romper o relacionamento mesmo sabendo que estava errado e que ele era abusivo”, relata.
Para denunciar casos de violência doméstica, ligue 180, para a Central de Atendimento à Mulher, ou procure a Delegacia de Defesa da Mulher, localizada na Praça Dom Pedro II, número 2-70, Centro, aberta das 8h às 17h.
