No bairro desde 2003, Gleika superou dificuldades com a ajuda da comunidade
Por Gabriel Accorsi, João Rodrigues, Leticia Cerqueira e Maíris Abuleac

Foto: Gleika Moraes/ Arquivo pessoal
Gleika Moraes chegou ao Jardim Nicéia com apenas 13 anos. Sua família estava em busca de oportunidades de emprego e, por isso, se mudaram para Bauru. Hoje, vinte e dois anos depois, casada e mãe de duas filhas, ela permanece no Jardim Nicéia como uma figura conhecida e querida pela comunidade.
Acompanhada da mãe e de sete irmãos, Gleika sofreu ao se mudar de sua cidade original, Agudos, porque deixou amigos e outros familiares, mas logo conseguiu se adaptar. Aos 16 anos, conheceu Douglas da Silva, que é morador do bairro desde que nasceu. A família dele é uma das fundadoras do Jardim Nicéia: sua avó se mudou antes de o local ser consolidado como bairro. Eram apenas quatro famílias que moravam em sítios espalhados.
Dois anos depois, Gleika e Douglas se casaram. A união resultou em duas meninas: Mickaelly, 6, e Nadielly, 14. E foi com o nascimento da segunda filha que o casal viveu um dos momentos mais complicados de suas vidas.
Na época, a mais velha começou a manifestar uma doença rara. A mãe relata que foram momentos de tensão sem um diagnóstico preciso: “Foi um descaso. Eu a levava na UPA e eles tratavam como gripe, virose ou bronquite, mas não faziam exames para ver o que ela realmente tinha, e ela foi ficando cada vez pior”.
Após ser internada no Hospital Estadual, a equipe médica constatou que o problema era cardíaco. Então, Nadielly foi transferida para São José do Rio Preto, onde foi feito o diagnóstico exato: miocardite dilatada. Essa doença é causada por uma infecção bacteriana, que faz com que os ventrículos (parte inferior do coração) inchem. Isso pode gerar insuficiência, porque impede o coração de bombear a quantidade de sangue necessária para o funcionamento do corpo.
Assim, em 2020, a família foi avisada de que o tratamento seria complexo e que só poderia ser feito em São Paulo. Eles se mudaram em quinze dias e, após sete meses de espera, o procedimento foi realizado com sucesso. Em meio à turbulência, a filha caçula nasceu, o que fez o casal precisar se dividir para cuidar das pequenas: enquanto Douglas acompanhava Nadielly nas idas ao hospital, Gleika ficava com a recém-nascida. Por isso, ambos estavam impossibilitados de trabalhar.
Mesmo na capital e longe do Jardim Nicéia, eles nunca estiveram desamparados graças ao apoio da comunidade do bairro. “Nós ficamos lá um ano sem trabalhar com a ajuda do pessoal do bairro que se movimentou”, relata a moradora. Na época, foram realizadas rifas e feijoadas, além do apoio das igrejas, do time do bairro e até da barbearia. Tudo isso com o objetivo de arrecadar dinheiro para a família.
Nadielly venceu a doença e, hoje, com 14 anos, é destaque na escola por suas habilidades em matemática e adora pintar. Atualmente, Gleika é proprietária do ‘Moraes Pet Shop’, localizado na Rua Três, e não se vê longe do bairro.
A moradora expressa um sentimento de gratidão e carinho pela comunidade: “Aqui no Nicéia, o pessoal é muito unido; quando eles pegam uma causa, eles abraçam”. Ela e sua família criaram raízes no Jardim Nicéia e demonstram, através de sua história, como os moradores sempre estão dispostos a ajudar uns aos outros.
