Legislação endurece regras; empreendedores precisarão acatar novas determinações

Por Guilherme Leal e Maria Clara Batista 

Lei foi sancionada no dia 16 de abril de 2026, em Bauru (Foto: Guilherme Leal – Vozes do Nicéia)

A Lei Municipal n.º 8.017/2026, vigente desde 16 de abril, regulamenta o funcionamento de adegas, disk-cerveja e estabelecimentos similares. A legislação estabelece regras mais rígidas para os comerciantes de Bauru.

Na prática, a lei define que é proibido o consumo de bebidas alcoólicas dentro das adegas e em regiões próximas, como nas calçadas. Além disso, esses estabelecimentos passam a ter horário de funcionamento obrigatório: até às 23h (domingo a quinta-feira) e até à 00h (sexta-feira, sábado e vésperas de feriados). Após esses horários, é permitido apenas o delivery. 

A nova legislação proíbe a comercialização de produtos fracionados, conhecidos como “copões”, e de alimentos preparados no local, como lanches. A música nas adegas se torna proibida, assim como fumar. 

A Câmara tinha dado um prazo de 60 dias para adequação, entretanto comerciantes fizeram um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas e conseguiram que o prazo fosse de 180 dias. Também foi anunciada uma audiência pública para o dia 3 de julho, em que os debates sobre a nova legislação serão retomados, com o objetivo de alinhar os pontos conflitantes entre parlamentares e comerciantes.

Dono do Bar e Mercearia Fuscão Preto mora há 36 anos no bairro (Foto: Guilherme Leal – Vozes do Nicéia)

Para Raquel Leme, dona de uma adega na rua 3, a nova lei não é tão expressiva, visto que ela possui um outro trabalho. Quando criou a “Adega da Raquel”, a proposta era criar um espaço familiar, com cadeiras, mesas e até shows.

“Eu colocava mesinha, mas os vizinhos começaram a reclamar [do barulho]. [Agora] O pessoal vem, pega e vai embora”, afirma Raquel, que deixou de trazer shows para o estabelecimento devido às reclamações. Segundo ela, se a adega fosse a única fonte de renda, a PL afetaria sua vida financeira. “Estaria bastante prejudicada”, acrescenta.

Já Clóvis Veríssimo atende os clientes das 17h às 22h.  Em entrevista, o morador que tem um bar na rua 3 disse que a lei prejudica de maneira direta como os seus clientes frequentam o local. “Lógico que afetaria. A pessoa sai de casa para beber e descontrair com os amigos”, destaca. 

Aposentado, ele comanda o Bar e Mercearia Fuscão Preto para ajudar na renda. “Eles me respeitam, e eu os respeito também”, relata ao mencionar que nunca recebeu reclamações dos vizinhos ou visita da polícia.

Para Ivan da Silva, morador da rua 6, o PL atinge aqueles que necessitam do consumo: “Essa lei vai afetar muito o dono de bar, que não tem uma outra renda por fora”. Ele ainda afirma que nunca recebeu qualquer tipo de represália, ainda mais por ter um horário definido para finalizar o turno do bar. “Muita gente não respeita. Pede um litro de cerveja para ficar conversando. Com essa lei, não poderia ter isso. Vai afetar muita coisa”, opina.

Deixe um comentário

jornal vozes do nicéia

Com mais de 18 anos de história, o Vozes do Nicéia tem o compromisso de dialogar continuamente com os moradores do Jardim Nicéia, promovendo debates, articulação de ideias e pluralidade na cobertura, sempre atentos às necessidades locais.