A associação acolhe pessoas de todas as idades, gêneros, raças e classes sociais

Por Daniel Souza, Giovana Keiko e Rafael Prudente

Medalhas de reconhecimento por tempo de abstinência/ Foto: Daniel Souza

O Narcóticos Anônimos (NA) é uma irmandade sem fins lucrativos, presente no mundo inteiro. Eles trabalham em um sistema de autogestão, no qual os integrantes do grupo também gerenciam e fazem os encontros acontecerem. Em Bauru, há reuniões todos os dias e em diferentes bairros.

Associado à fuga da realidade, busca por prazer, curiosidade ou mesmo a influência de amigos e círculos sociais, o consumo de drogas produz danos tanto ao usuário quanto aos que convivem com ele. Em entrevista, André Teixeira* relata que começou a perder as próprias coisas e também a amizade e a confiança dos pais, até que percebeu que precisava de ajuda para abandonar o uso.

“Cheguei a ficar três, cinco dias perambulando na rua, usando compulsivamente até acabar todo o dinheiro, até ficar sem nada e eu arrumar maneiras para continuar usando cada vez mais”, relata Teixeira.

A dependência química, segundo o psicólogo Diego Santos, se caracteriza pelo uso significativo de substâncias: “seja o álcool, a maconha, a cocaína, qualquer que seja essa substância, quando ela começa a tomar uma proporção significativa na vida do sujeito, a gente pode dizer que ele está tendo um uso problemático da substância”.

Entre os fatores de atenção estão: prejuízo nas relações interpessoais, falta no trabalho, gasto de grande parte do salário com drogas e conflitos frequentes relacionados ao assunto.

O primeiro passo para abandonar a dependência química requer apoio, segurança e, dependendo do caso, um acompanhamento especializado de psicólogos e psiquiatras.

Ao se juntar ao NA, João Silva* fala que os colegas disseram: “você é a pessoa mais importante daqui”.E ele não entendeu bem o porquê, já que se sentia “desimportante” para sua família e para si mesmo. Hoje, João está limpo há 2 anos e meio.

André Teixeira* também frequenta as reuniões e relata que luta contra o vício desde os 18 anos. Ao entrar no grupo, ele explica que a pessoa é apadrinhada por um membro mais antigo, para que ele tenha a quem recorrer em momentos de crise, fraqueza e também alguém para acompanhá-lo na jornada.

André disse que o dia mais marcante em relação ao grupo, foi no velório de sua mãe, um dia que ele tinha certeza que iria ter uma recaída. Enquanto ele esperava os familiares, sozinho, três colegas do NA foram os primeiros a chegar para acolhê-lo, e desde então, André tem certeza que pode contar com os amigos.

Além disso, para ingressar na Irmandade não é necessário nenhum pagamento ou credencial específica, como conta o membro e servidor da instituição, Décio Telles.

“O único requisito é que a pessoa tenha o real desejo de parar de usar drogas. Então, qualquer pessoa que se identifica com esses problemas, seja álcool ou outras drogas, e quer parar, vai ser bem aceita aqui. É só vir nas reuniões e se identificar para ser membro”, explica Décio.

Em Bauru, há quatro locais de encontro:

  • Grupo Boa Vontade – Rua Santa Efigênia S/N – Jardim Redentor; Sábado 18h
  • Grupo Mente Aberta – Rua José Antônio Baptista 11-12 – Núcleo Habitacional Mary Dota; Domingo – 19h; Quinta – 20h;
  • Grupo Milagres Acontecem – Rua Chile 4 – 35 – Vila Independência; Segunda e Sexta – 20h;
  • Grupo Novo Mundo – Rua Joaquim Fidelis 1-32 (Viaduto do Confiança Nações)- Vila Altinópolis; Terça, Quarta e Quinta – 20h; Sábado 10h.

Além disso, há reuniões virtuais que podem ser acessadas de qualquer lugar do Brasil, a qualquer momento no site: https://www.na.org.br

*Nomes fictícios para preservar a identidade dos entrevistados. 

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