Entenda o que aconteceu e as perspectivas para o futuro

Por Amanda Lima, Isabela Cristiano e Leticia Cerqueira 

Em abril, a Wise Madness encerrou a parceria com o Jardim Nicéia e deixou de atender as crianças do bairro. A Associação oferecia aulas de dança, oficinas e esportes, e transporte para as atividades. A decisão aconteceu depois da diminuição do número de jovens que faziam parte do projeto. O Inscri (Instituto Social São Cristóvão) e AFRA (Associação Filhos do Reino em Ação) são novas alternativas para os moradores.

A Wise, em colaboração com a Prefeitura de Bauru, tinha como objetivo atender, pelo menos, 120 crianças residentes nos Jardins Nicéia e Europa. Entretanto, segundo o diretor da Associação, Marcus Vinícius, houve famílias que deixaram o Jardim Europa e o número de crianças que participavam das ações reduziu para metade. Dessa forma, a diminuição do público impossibilitou a continuidade da parceria na região. 

A decisão de interromper o vínculo com o bairro foi tomada para evitar problemas tributários, já que o recurso financeiro era proveniente do Governo Federal. “A gente corria riscos legais com o não cumprimento dessa meta. Poderíamos sofrer algumas providências até do Ministério Público, porque estamos lidando com dinheiro público”, explica Marcus. 

Segundo o diretor, todos os esforços e tentativas foram feitos, mas, a curto prazo, não houve outra alternativa. “O problema foi não ter no território uma expectativa de atendimento. Foi feita uma busca ativa no CRAS [para tentar encontrar outros beneficiários] mas não tinha esse público”, garantiu. 

As aulas eram realizadas na Unidade da Wise Galpão. Com o encerramento do convênio, o local passa a ter somente as oficinas de skate no período da noite de segunda a sexta e de street dance aos sábados. Os alunos que participam desses programas se deslocam até o local e, por isso, elas continuam acontecendo. 

Além disso, Marcus comentou que pretende levar os alunos das outras unidades da Wise para a realização de oficinas de skate dentro do horário que as crianças ficam no serviço de convivência.

O anúncio não foi fácil para o público que participa regularmente das atividades oferecidas. “As crianças sentiram bastante. Ali, nós tínhamos técnicos e educadores sociais que já tinham um bom tempo com eles. Então, laços foram criados”, disse Marcus. 

O encerramento do vínculo da Wise com o Jardim Nicéia impactou as rotinas das famílias e no suporte na educação das crianças: “A Wise proporcionava passeios e psicólogos para as crianças e para as mães. Beneficiava muito as famílias”, comentou Sandra de Souza, 53 anos, moradora da rua 4.

A Wise espera conseguir retomar as ações quando a meta do número de crianças for retomado. “Um novo chamamento público deve ser feito e a gente retoma o serviço que estava sendo executado. A expectativa é de que seja uma situação temporária”, compartilhou Marcus. Ele confirmou que a Wise tem planos de se aproximar do Jardim Nicéia e avaliam a possibilidade de ter um espaço da Associação no bairro no futuro. 

Apresentação da turma de dança do Wise no Jardim Nicéia em evento do dia das crianças, no dia 11 de outubro de 2025/ foto por Bruna Santini/ Vozes do Nicéia.

Projetos alternativos

A Prefeitura de Bauru foi notificada sobre a decisão e parte das crianças foram redirecionadas para outros Centros de Convivência Infantil, o Inscri (Instituto Social São Cristóvão), Afra (Associação Filhos do Reino em Ação) e o Crescer, feito pelo Centro Espírita Amor e Caridade. 

Entretanto, nenhum dos projetos oferece transporte para as crianças acessarem as atividades. “A grande dificuldade é que a gente não tem como levar até os projetos. Têm vagas, mas a gente não tem condições de pagar condução ou alguém para levar”, conta Andreia de Oliveira, moradora da Rua 5.

A coordenadora do Afra, Alessandra Garcia, explica que nem sempre outras organizações têm um veículo próprio para oferecer transporte para o público. “Nós precisamos de recurso público, nenhuma outra organização dispõe de transporte. A gente vai tentar articular com a Prefeitura para ver o que podemos fazer”, diz. 

As crianças que não conseguem acessar o serviço de convivência ficam com o contraturno escolar ocioso. “Eu preciso do projeto porque eu trabalho, minha filha acaba ficando comigo no salão, mas as crianças não param”, conta Gleika Moraes, moradora da Rua 3. 

Natália Charlois, psicóloga social do CRAS, ressaltou que têm sido discutidas alternativas para auxiliar nesse cenário: “A gente está tentando articular com a Prefeitura para ver o que fazer com essas crianças que vão ficar sem o transporte e o sem o serviço de convivência”. A Prefeitura não se posicionou até o fechamento desta edição. 

Ela destacou que é preciso juntar forças e mobilizar junto com a comunidade para conseguir um auxílio da prefeitura, por exemplo, para custear o transporte para essas crianças participarem dos projetos oferecidos.

As iniciativas promovem atividades para crianças entre 6 e 15 anos mediante ao encaminhamento do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) – que faz atendimentos no Jardim Nicéia durante as terças-feiras a partir das nove horas da manhã. Mais informações sobre os serviços:

O Inscri fica localizado na Rua Charles Hughs, 4- 40, Jardim Europa. Contato: (14) 3234-5998 ou (14) 99866-6932.

O Afra está na Rua Arlindo Coelho, 1-31, Geisel – próximo à Avenida Nações Unidas. Contato: (14) 3281-1291 ou (14) 99133-0595.

O Projeto Crescer fica na Avenida Vicente Aiello, 8-20, Parque das Nações. Contato: (14) 3214-4769.

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